-Bem, o que está feito, está feito, agora não da pra voltar atráz, mas não se preocupe eu não vou contar pra ninguém, também porque isso é coisa que só interessa a ela. Você não acha?
-Claro claro! Concordou Beta mais aliviada.
-Mas parece que ele não tem vindo muito aqui nos últimos dias? Cláudio não podia perder esta oportunidade, Beta estava meio perdida, e não tinha certeza do que tinha falado.
-É ele não tem vindo. Depois que voltou da viagem, ele não apareceu mais.
- Ele tinha ido viajar é?
-É tinha.
-Pra Europa?
-É pra Portugal e Espanha.
-Engraçado, meu pai, minha mãe, Clara e Adriana também viajaram pra estes lugares! Exclamou Cláudio, fazendo de conta que não sabia de nada.
-É eu sei. Disse Beta.
-Eles conversaram no caminho?
-Não! Parece que nem chegaram perto.
-Mas nem um olhar, nada?
-Como é que eu vou saber, eu não estava junto!
-Quem deve saber é Clara sua irmã, ela estava junto. Porque você não pergunta pra ela?
-Boa idéia! Vou perguntar!
-Mas você não vai dizer que eu falei alguma coisa?
-Isto não será preciso, ela não é burra nem nada, logo vai sacar que foi você quem me contou tudo!
-Meu Deus, e agora o que eu faço?
Cláudio agora estava com a faca e o queijo na mão.
-É simples, você me conta tudo, ai eu não vou precisar perguntar pra Clara. Certo?
-Isto não vale, você está fazendo chantagem comigo.
-Não, eu não, você começou contar por que quis, eu só fiquei curioso, mais nada.
Beta se convenceu que era uma linguaruda, o que tinha de falar, tinha a mania de ir dizendo as coisas boca a fora sem medir as conseqüências, mas desta vez ela estava inocente, foi Cláudio que a induziu a falar.
E como ela tinha uma língua solta e memória curta, acabou entregando tudo fácil.
-Já que estou enrolada mesmo vou lhe contar, mas, por favor, não fale nada pra ninguém.
-Pode ficar sossegada, não vou comentar nada.
-Bem é que na verdade ninguém me falou nada, diretamente, tudo é coisa que todo mundo fica comentando, Adriana, por exemplo, nunca comentou qualquer coisa neste sentido comigo.
-Que bela amiga você é hém! Só por que os outros ficam falando você já conta como verdade.
-Mas Adriana nuca comentou entre as amigas que estava apaixonada por um homem mais velho?
-É a gente perguntou muitas vezes, mas ela só dizia;... (-Tem gente que não tem o que fazer e fica imaginando coisas, eu nunca estive apaixonada por ninguém muito menos por um homem mais velho, eu não sei de onde tiram estas maluquices).
-E quem era o tal homem?
-Isto nunca ninguém ficou sabendo, ele veio muitas vezes aqui, mas nunca conversou com ninguém, ficava o tempo todo olhando para Adriana, mas jamais trocaram uma palavra. Ele era como a Cinderela meia noite ele sumia, parecia mágico de um momento para outro sumia ninguém via pra onde.
-E como você sabe que ele viajou junto para a Europa?
-Eu não disse que ele viajou junto. Eu disse que estavam no mesmo avião.
-E quem falou pra você que o tal homem estava no avião?
-É o que comentam por ai.
-Mas quem comenta?
-Todo mundo ora!
-Mas quem é este todo mundo?
-As gurias todas ficam comentando.
-Adriana comentou alguma coisa?
-Não! Quando perguntam pra ela, ela só diz que estão todos malucos, e que não tem o que fazer, pra ficar imaginando coisas a respeito dos outros.
-E ela não fica aborrecida com tudo isto?
-Não, ela acha engraçado e diz;
(-Quando eu morrer vou virar uma lenda).
A estas alturas Cláudio que pensava estar progredindo em suas investigações, viu que não tinha descoberto coisa nenhuma, a noite chegara ao fim, e ele tinha menos do que no inicio, ou seja, nada.
Na casa da professora Dalva, estava tudo aparentemente calmo, ninguém fazia comentários, e nem tocava no nome de Adriana.
Mas por traz da aparente calma, havia um clima muito tenso, uma verdadeira briga de gato e rato, talvez um jogo de suspense, apenas no psicológico, ninguém queria dar o primeiro passo, mas isto estava desgastando a relação de Nestor e Dalva cada vez mais.
Um dia a cozinheira perguntou pra Dalva:
-Patroa se a senhora não se importa eu, posso lhe faze uma pergunta?
-Claro pode perguntar sim, você pra mim é como uma irmã mais velha fique a vontade.
-Aquele causo que a senhora falou outro dia do seu marido, já ta resorvido?
-Pois é não está!
-E o que ta fartando?
-Sei lá eu acho que faltando é coragem de decidir.
-Como assim decidir? O que precisa decidir?
-Colocar as cartas na mesa, e acabar com este jogo, isto sim. E é o que eu vou fazer!
-Coloca carta na mesa, decidi jogo, não to entendendo nada. Do que a senhora ta falando?
-Estou falando do que ter feito há muito tempo, em vez de estar me martirizando, sem nenhum resultado.
-Mas primeiro vou falar com Cláudio.
Perdão patroa. Mas quem é este Cláudio que eu nuca ovi fala?
-Deixa pra lá, depois a gente fala sobre isto.
-Tenho que ir agora.
Joana não entendeu nada, mas que diferença fazia. Ela era só a cozinheira.
Dalva foi ao encontro de Cláudio, e ele lhe relatou tudo o que tinha acontecido.
-Pois é, de nada adiantou meu esforço, não fiquei sabendo de nada. Aliás, fiquei sim, apesar de ser espevitada, Beta não é tão chata assim, e é legal ficar com ela.
Dalva apesar de estar tensa, teve que rir.
-Pelo menos de alguma coisa serviu sua investigação, foi procurar uma coisa e achou outra, bom pra você.
-As aparências enganam! Exclamou Cláudio.
(As aparências enganam).
É realmente esta frase fez Dalva pensar um pouco mais, o que será que tinha de verdade em suas desconfianças, teria algum fundo de verdade ou era só fantasia de sua cabeça.
E dona Julia o que pensaria? Será que ela ainda tinha alguma dúvida, com certeza tinha.
Dalva foi até a casa de dona Julia e contou o que Cláudio conseguiu, ou seja, nada.
Dalva contou o que havia decidido fazer, faria um interrogatório com seu marido, sabia do risco que corria, mas assim não poderia ficar.
Dalva foi para casa para esperar Nestor chegar, estava decidida a por fim naquela situação, não importando qual seria o resultado.
Nestor chegou em casa, e fez o que sempre fazia. Foi ate o escritório deixou sua pasta e depois foi dar o beijo costumeiro em Dalva.
Nestor notou que havia alguma coisa diferente com Dalva.
-O que foi querida, alguma coisa errada?
-Tenho uma pergunta muito importante a lhe fazer!
-Tem é? Posso saber o que é?
-Já vai saber, esteja preparado, só quero a verdade!
-Por favor, faça logo que já estou curioso.
Nestor não se mostrava nem um pouco preocupado, mas Dalva estava extremamente nervosa.
-Bem é... É...
-Fala logo criatura, é sobre o que?
-É sobre Adriana!
-E o que ouve com Adriana?
-Você não entendeu? –Eu falei Adriana!
-Sim, eu ouvi! –O que tem Adriana?
-Não é só sobre Adriana!
-Não! –Sobre quem mais? –Por favor, fale logo, porque tanto rodeio!
Dalva ficava cada vez mais nervosa. Será que Nestor estava fingindo ou não compreendia o que ela estava falando.
-Você já se esqueceu que teve um caso com Adriana?
-Eu! Um caso com Adrana! Você deve estar ficando maluca, eu nunca tive um caso com Adrana, Aliás, eu nem sei por que você esta falando nisso agora.
-A não teve! E o que você teve então com Adriana?
-Eu pensei que isto era passado, o que aconteceu, foi apenas um engano, eu por pensar que ela poderia estar interessada em mim; Ridículo. -Ela apenas um delírio de menina, eu acho, nada mais.
-Mas tudo isto já foi superado e esquecido, é página virada. –Não sei por qual motivo você está falando isto agora!
-Mas você freqüentava o clube aonde ela sempre ia!
-Eu freqüentava clube?
-Sim, você!
-Deve haver algum engano!
-De onde você tirou esta idéia?
-Dona Julia viu você lá, e as meninas amigas de Adriana também.
-E quando foi isto?
-Desde quando você voltou a trabalhar e sair todas as terça e quintas feiras e dizia que estava fazendo análise.
-Mas eu estava fazendo análise! – Eu até a convidei para ir comigo!
-Convidou porque sabia que eu não iria!
-E porque não iria? Não vejo problema algum nisto, outras esposas e maridos acompanham seus parceiros muitas vezes, não vejo nada de errado. –Se você tem alguma duvida, pegue o telefone e ligue agora para a secretária do doutor Mariano que ela vai lhe confirmar minha presença, o cartão é este aqui.
Nestor entregou o cartão para Dalva, que ficou parada como uma estátua, tamanha foi sua surpresa e vergonha.
Nestor vendo o desconforto de Dalva tentou diminuir o sofrimento dela.
-Não fique preocupada, eu entendo a situação. Mas isto poderia ser evitado se você tivesse aceitado meu convite para ir junto à minha seção de análise.
-Você tem razão, eu peço desculpas.
-Está tudo bem, não precisa pedir desculpas.
Dalva não conseguia entender, o tinha acontecido, se não era Nestor, quem era então.
-Mas se não era você, quem era o homem que estava no clube então?
-Como que eu posso saber? Não tenho a mínima idéia!
-Preciso falar com dona Julia!
Dalva pegou o telefone e ligou para dona Julia, e contou da conversa que teve com Nestor.
-Mas a senhora tem certeza que ele falou a verdade?
-Sim eu tenho. Respondeu Dalva.
-Mas então quem era o homem disfarçado? E por qual motivo sentava no mesmo lugar em que Nestor sentava antes? Dona Julia ficou sem saber o que dizer. Como podia ter se enganado, e por que alguém estaria ali disfarçado? Quem seria a pessoa?
A coisa tomou um rumo totalmente diferente, e mais difícil de resolver, depois que voltaram da viagem, o homem não mais apareceu, também por coincidência ou não Nestor não foi fazer mais análise.
Dona Julia não via outro jeito, teria que conversar com Adriana, ela provavelmente negaria, mas era a única que poderia ter alguma explicação. Nem que fosse sob pressão ela teria que dizer alguma coisa.
No dia seguinte pela manha dona Julia acordou Adriana mais cedo par submetê-la ao interrogatório.
-Adriana você precisa me responder umas perguntas, é muito importante!
-Deve ser importante mesmo, pra senhora me acordar esta hora. Deixa eu me arrumar primeiro, depois a senhora pergunta. Está bem assim? Adrana falou em tom de brincadeira, dona Julia percebeu, mas não falou nada, esperou Adriana tomar seu banho depois começou as perguntas.
_Você tem visto a marido da professora Dalva ultimamente?
-Não. _Por quê?
-Qual foi à última vez que o viu?
-Eu o vi na viagem, ele estava no mesmo avião que nós.
-Por que, ele desapareceu outra vez?
-Não, ele não desapareceu, ele está muito bem ate.
-Então por que o interrogatório?
-Me responda só mais uma, mas, por favor, fale a verdade. –Promete?
-Prometo mãe! Prometo.
-Nestor tem freqüentado o clube aonde você vai?
-Teve um tempo que ele ia, ficava lá em um canto bebendo feito um gambá, mas fás um bom tempo que ele não aparece, fiquei sabendo que ele estaria fazendo análise, não sei se é verdade ou não.
-E o tal homem misterioso? Quis saber dona Julia.
-A senhora também já sabe? Falou Adriana.
- Quer dizer então que existe o tal homem misterioso?
- Existe sim, mas ninguém sabe quem é. Ate já estão o chamando de Cinderela, quando chega meia noite ele desaparece, ninguém sabe pra onde vai, é muito engraçado.
Disseram-me que ele fica o tempo todo olhando pra você. É verdade isto?
-Não, é exagero, ele olha pra todo mundo, ele só não fala com ninguém. Talvez por que ninguém puxou conversa com ele, deve ser tímido, ou mudo.
-Mas por que o disfarce?
-E quem garante que é disfarce? Ele pode ser assim mesmo, e também ele não causa mal a ninguém, fica lá mo canto dele por um tempo toma uma bebida, e quando chega meia noite vai embora, a galera que fica pegando no meu pé e diz que meu admirador secreto, mas eu não ligo só estou me divertindo.
-É você tem razão pode não ser um disfarce.
-Mas por que ele não apareceu mais?
-A isto já é outra história. Falou Adriana.
-Justamente quando você viajou! Estranho isto não?
-Quem sabe era por minha causa mesmo, não me viu mais lá, não foi mais.
-É pode ser. Mas por que depois que você voltou ele não apareceu mais?
- Nestor coincidência ou não, também não foi mais fazer análise.
-A senhora acha que poderia ser Nestor?
-Dalva afirma que não. Será que ele a enrolou outra vez? É muito tonta mesmo! Mas nós vamos descobrir isto e você vai me ajudar.
-Eu!... Por que eu?
-Por que em você eu confio, e não sei de ninguém melhor para me ajudar a resolver esta trama.
-Quer dizer que vamos dar uma de detetive então, vai ser irado.
-É, pode ate ser, mas não deve comentar com ninguém.
-Pode deixar mãe, não vou falar pra ninguém.
-Primeiro temos que descobrir quem é o tal de analista, depois saberemos se Nestor estava mesmo fazendo análise, ele vai ver com quem está lidando. Comentou dona Julia.
-Mãe, na lista telefônica deve ter o nome do analista. ---Como é mesmo o nome dele?
-Mariano, doutor Mariano.
Adriana pegou a lista e em segundos já encontrou.
-Aqui mãe ó, está o telefone e o endereço.
-Mas como é que nos vamos fazer? Quis saber Adrana.
-Que eu saiba a secretária não fornece nem um tipo de informação sobre pacientes.
-Pode deixar! Disse dona Julia. -Eu sei como fazer.
-E como faremos? Quis saber Adriana.
-Simples, marcaremos um horário para fazer o cadastro, e diremos que foi um paciente deles, e amigo nosso quem indicou.
-Pô mãe a senhora é uma gênia!
Plano perfeito. Chegando ao consultório, preencheram o cadastro, e para a surpresa das duas lá estava o nome de Nestor. Ele não estava mentindo, e esteve fazendo analise durante todo o tempo que afirmou.
E agora? Quem seria o homem misterioso?
Nestor chegou em casa, e fez o que sempre fazia. Foi ate o escritório deixou sua pasta e depois foi dar o beijo costumeiro em Dalva.
Nestor notou que havia alguma coisa diferente com Dalva.
-O que foi querida, alguma coisa errada?
-Tenho uma pergunta muito importante a lhe fazer!
-Tem é? Posso saber o que é?
-Já vai saber, esteja preparado, só quero a verdade!
-Por favor, faça logo que já estou curioso.
Nestor não se mostrava nem um pouco preocupado, mas Dalva estava extremamente nervosa.
-Bem é... É...
-Fala logo criatura, é sobre o que?
-É sobre Adriana!
-E o que ouve com Adriana?
-Você não entendeu? –Eu falei Adriana!
-Sim, eu ouvi! –O que tem Adriana?
-Não é só sobre Adriana!
-Não! –Sobre quem mais? –Por favor, fale logo, porque tanto rodeio!
Dalva ficava cada vez mais nervosa. Será que Nestor estava fingindo ou não compreendia o que ela estava falando.
-Você já se esqueceu que teve um caso com Adriana?
-Eu! Um caso com Adriana! Você deve estar ficando maluca, eu nunca tive um caso com Adriana, Aliás, eu nem sei por que você esta falando nisso agora.
-A não teve! E o que você teve então com Adriana?
-Eu pensei que isto era passado, o que aconteceu, foi apenas um engano, eu por pensar que ela poderia estar interessada em mim; Ridículo. -Ela apenas um delírio de menina, eu acho, nada mais.
-Mas tudo isto já foi superado e esquecido, é página virada. –Não sei por qual motivo você está falando isto agora!
-Mas você freqüentava o clube aonde ela sempre ia!
-Eu freqüentava clube?
-Sim, você!
-Deve haver algum engano!
-De onde você tirou esta idéia?
-Dona Julia viu você lá, e as meninas amigas de Adriana também.
-E quando foi isto?
-Desde quando você voltou a trabalhar e sair todas as terça e quintas feiras e dizia que estava fazendo análise.
-Mas eu estava fazendo análise! – Eu até a convidei para ir comigo!
-Convidou porque sabia que eu não iria!
-E porque não iria? Não vejo problema algum nisto, outras esposas e maridos acompanham seus parceiros muitas vezes, não vejo nada de errado. –Se você tem alguma duvida, pegue o telefone e ligue agora para a secretária do doutor Mariano que ela vai lhe confirmar minha presença, o cartão é este aqui.
Nestor entregou o cartão para Dalva, que ficou parada como uma estátua, tamanha foi sua surpresa e vergonha.
Nestor vendo o desconforto de Dalva tentou diminuir o sofrimento dela.
-Não fique preocupada, eu entendo a situação. Mas isto poderia ser evitado se você tivesse aceitado meu convite para ir junto à minha seção de análise.
-Você tem razão, eu peço desculpas.
-Está tudo bem, não precisa pedir desculpas.
Dalva não conseguia entender, o tinha acontecido, se não era Nestor, quem era então.
-Mas se não era você, quem era o homem que estava no clube então?
-Como que eu posso saber? Não tenho a mínima idéia!
-Preciso falar com dona Julia!
Dalva pegou o telefone e ligou para dona Julia, e contou da conversa que teve com Nestor.
-Mas a senhora tem certeza que ele falou a verdade?
-Sim eu tenho. Respondeu Dalva.
-Mas então quem era o homem disfarçado? E por qual motivo sentava no mesmo lugar em que Nestor sentava antes? Dona Julia ficou sem saber o que dizer. Como podia ter se enganado, e por que alguém estaria ali disfarçado? Quem seria a pessoa?
A coisa tomou um rumo totalmente diferente, e mais difícil de resolver, depois que voltaram da viagem, o homem não mais apareceu, também por coincidência ou não Nestor não foi fazer mais análise.
Dona Julia não via outro jeito, teria que conversar com Adriana, ela provavelmente negaria, mas era a única que poderia ter alguma explicação. Nem que fosse sob pressão ela teria que dizer alguma coisa.
No dia seguinte pela manha dona Julia acordou Adriana mais cedo par submetê-la ao interrogatório.
-Adriana você precisa me responder umas perguntas, é muito importante!
-Deve ser importante mesmo, pra senhora me acordar esta hora. Deixa eu me arrumar primeiro, depois a senhora pergunta. Está bem assim? Adrana falou em tom de brincadeira, dona Julia percebeu, mas não falou nada, esperou Adriana tomar seu banho depois começou as perguntas.
_Você tem visto a marido da professora Dalva ultimamente?
-Não. _Por quê?
-Qual foi à última vez que o viu?
-Eu o vi na viagem, ele estava no mesmo avião que nós.
-Por que, ele desapareceu outra vez?
-Não, ele não desapareceu, ele está muito bem ate.
-Então por que o interrogatório?
-Me responda só mais uma, mas, por favor, fale a verdade. –Promete?
-Prometo mãe! Prometo.
-Nestor tem freqüentado o clube aonde você vai?
-Teve um tempo que ele ia, ficava lá em um canto bebendo feito um gambá, mas fás um bom tempo que ele não aparece, fiquei sabendo que ele estaria fazendo análise, não sei se é verdade ou não.
-E o tal homem misterioso? Quis saber dona Julia.
-A senhora também já sabe? Falou Adriana.
- Quer dizer então que existe o tal homem misterioso?
- Existe sim, mas ninguém sabe quem é. Ate já estão o chamando de Cinderela, quando chega meia noite ele desaparece, ninguém sabe pra onde vai, é muito engraçado.
Disseram-me que ele fica o tempo todo olhando pra você. É verdade isto?
-Não, é exagero, ele olha pra todo mundo, ele só não fala com ninguém. Talvez por que ninguém puxou conversa com ele, deve ser tímido, ou mudo.
-Mas por que o disfarce?
-E quem garante que é disfarce? Ele pode ser assim mesmo, e também ele não causa mal a ninguém, fica lá mo canto dele por um tempo toma uma bebida, e quando chega meia noite vai embora, a galera que fica pegando no meu pé e diz que meu admirador secreto, mas eu não ligo só estou me divertindo.
-É você tem razão pode não ser um disfarce.
-Mas por que ele não apareceu mais?
-A isto já é outra história. Falou Adriana.
-Justamente quando você viajou! Estranho isto não?
-Quem sabe era por minha causa mesmo, não me viu mais lá, não foi mais.
-É pode ser. Mas por que depois que você voltou ele não apareceu mais?
- Nestor coincidência ou não, também não foi mais fazer análise.
-A senhora acha que poderia ser Nestor?
-Dalva afirma que não. Será que ele a enrolou outra vez? É muito tonta mesmo! Mas nós vamos descobrir isto e você vai me ajudar.
-Eu!... Por que eu?
-Por que em você eu confio, e não sei de ninguém melhor para me ajudar a resolver esta trama.
-Quer dizer que vamos dar uma de detetive então, vai ser irado.
-É, pode ate ser, mas não deve comentar com ninguém.
-Pode deixar mãe, não vou falar pra ninguém.
-Primeiro temos que descobrir quem é o tal de analista, depois saberemos se Nestor estava mesmo fazendo análise, ele vai ver com quem está lidando. Comentou dona Julia.
-Mãe, na lista telefônica deve ter o nome do analista. ---Como é mesmo o nome dele?
-Mariano, doutor Mariano.
Adriana pegou a lista e em segundos já encontrou.
-Aqui mãe ó, está o telefone e o endereço.
-Mas como é que nos vamos fazer? Quis saber Adrana.
-Que eu saiba a secretária não fornece nem um tipo de informação sobre pacientes.
-Pode deixar! Disse dona Julia. -Eu sei como fazer.
-E como faremos? Quis saber Adriana.
-Simples, marcaremos um horário para fazer o cadastro, e diremos que foi um paciente deles, e amigo nosso quem indicou.
-Pô mãe a senhora é uma gênia!
Plano perfeito. Chegando ao consultório, preencheram o cadastro, e para a surpresa das duas lá estava o nome de Nestor. Ele não estava mentindo, e esteve fazendo analise durante todo o tempo que afirmou.
E agora? Quem seria o homem misterioso?
Estavam numa situação bastante complicada, ninguém tinha pistas sobre o tal homem, poderia não ser ninguém perigoso, como também podia ser algum louco, como saberiam.
Adriana teve uma idéia, quem sabe o garçom tivesse alguma pista, ele quem chegou mais perto do homem, quem sabe falou alguma coisa pediu alguma informação teriam que explorar todas as possibilidades.
Beto realmente falou com o homem.
-Você não viu se ele estava disfarçado, se tinha alguma coisa que chamasse atenção, se o bigode e a barba eram naturais.
-É eu notei alguma coisa sim, mas ele nunca me pareceu alguém que pudesse oferecer perigo, nunca dei nenhuma importância.
-Você acha que pode ser alguém aqui do bairro?
-Poder pode, mas por que a curiosidade agora?
-Olha. Disse Adriana. –É uma coisa bastante estranha, eu a princípio estava me divertindo achando que fosse uma pessoa, mas agora fiquei sabendo com certeza que não era esta pessoa, confesso que estou com um pouco de medo, nunca se sabe.
-Eu também pensei que fosse alguém, pelo jeito o mesmo que vocês, por isto não dei importância, estava ate me divertindo, mas sendo assim a coisa muda, ficarei atento, qualquer coisa eu aviso. Está bem!
-Mas é bom não fazer muito alarde, se ele desconfiar não vai aparecer mais. Falou dona Julia.
-Ta certo pode deixar, e sei ser discreto.
Passaram-se dias e semanas e nada do tal homem aparecer, a estas alturas uma escapadinha aqui outra ali e todo mundo já sabia. Todo mundo que freqüentava o clube, tinha alguém que não sabia de nada, e por incrível que pareça, a cadeira e a mesa onde o tal homem sentava e a mesa estava sempre vazia, parecia à espera dele, e ele era o dono da mesma.
Seu Luiz nunca perguntou nada sobre o assunto, desde que Adriana lhe contou como tudo aconteceu, e depois que riram bastante, nunca mais ele fez qualquer comentário.
Dona Julia não falava nada por que achava que não deveria aborrecê-lo, e que ele já tinha bastante coisa pra resolver no seu trabalho.
Mas seu Luiz era uma pessoa que gostava de pregar peças e viu uma excelente oportunidade de pregar uma, escutou a conversa de dona Julia e Dalva, não foi de propósito. Estava fazendo umas contas em seu escritório e elas falavam bem alto, não sabiam que ele estava em casa, o resto foi bem fácil.
Seu Luiz só procurava se informar dos movimentos de Nestor, mas não teve o cuidado de saber que sua mulher já sabia que não era Nestor o homem misterioso, e estaria investigando pra saber quem era o tal homem.
Seu Luiz que também era homem de negócios, não era difícil saber o movimento dos outros, as secretárias sabiam de tudo, ou quase tudo.
Soube que Nestor estaria participando de um seminário durante vários dias, seria a oportunidade.
Ai não foi só na terça e na quinta, aproveitaria a semana toda, pensou ele.
Não sabia o que estava lhe esperando...
Lá estava ele o homem misterioso, mas o mistério estava por acabar, seria uma surpresa pra todos, inclusive para o próprio misterioso que não imaginava que lhe aprontariam uma armadilha infalível, ele nem desconfiava, Beto colocou um sonífero em sua bebida, e em poucos minutos, ele estava totalmente adormecido.
Todo mundo que estava presente queria saber de quem se tratava, quando tiraram o chapéu a peruca e o bigode, foi uma surpresa geral, dona Julia fez questão de tirar a barba postiça, ela não queria acreditar, por que motivo ele estava fazendo isto, se não visse com seus próprios olhos não acreditaria.
Mas por quê? Bem o mistério esta resolvido, vamos levá-lo para casa que quando acordar dará as devidas explicações.
Seu Luiz acordou com uma dor de cabeça horrível, ele estava em sua casa, mas não estava em sua cama, o que teriam colocado em sua bebida, e quem o levou ate em casa, e as roupas do disfarce onde estavam.
Olhou em volta, estava no quarto de hospedes, isto ele sabia, mas queria ver se enxergava as roupas do disfarce, nada. O que teria acontecido? Levantou rapidamente e foi ate o armário aonde ele guardava as roupas, não estavam. Onde estariam? O que fazer?
Foi ate o banheiro fazer sua higiene diária, era cedo ainda, estavam todos dormindo pensou.
Tomou seu banho vestiu-se e foi tomar seu café, achou estranho, o café ainda não estava servido, nem a cozinheira estava lá, tudo em silêncio, nem o rádio que a cozinheira sempre mantinha ligado, estava desligado, não escutou voz de ninguém, foi ate a cozinha, também estava vazia.
O que estaria acontecendo? Subiu ate seu quarto, ninguém, a cama estava arrumada e nem sinal de dona Julia, foi ate o quarto de Adriana, também não estava, onde teria ido todo mundo.
Pensou tomarei meu café na padaria da esquina, já tinha feito isto várias vezes. Vestiu sua roupa e desceu para sair.
A surpresa foi grande.
-Parabéns senhor Luiz bela interpretação, que papelão hem!
-O que pretendia com isto? Perguntou dona Julia mostrando as roupas do disfarce.
-Como vocês descobriram? Quis saber seu Luiz.
-Você pensa que só você que é esperto? Respondeu dona Julia. Qual era sua intenção?
-Bem, a princípio eu só queria vigiar Adriana, depois como todo mundo estava pensando que eu era Nestor, comecei a me divertir, e deixei para ver ate aonde ia.
- Não pretendia fazer mal a ninguém, e também era uma boa maneira de estar perto de Adriana, e poderia defendê-la se corresse algum perigo.
-Pois é, e todo mundo falando mal do coitado do Nestor, e criando um enorme problema para Dalva que ficou sofrendo este tempo todo, e eu também correndo de um lado para outro fazendo papel de boba.
-Bem, mas agora está tudo resolvido! Disse seu Luiz.
-Tudo resolvido coisa nenhuma! Retrucou dona Julia.
-Como não?
-Está faltando uma parte muito importante. Disse dona Julia.
-E que parte é esta, que eu não sei? Quis saber seu Luiz.
-Você vai lá na casa de Nestor, e vai pedir desculpas pra ele , e esclarecer toda confusão.
Seu Luiz não tinha outra saída, teria que fazer isto mesmo, era o mínimo, pra reparar sua irresponsabilidade, ele não fez por mal, mas causou um enorme desconforto para várias pessoas.
Foi ate a casa de Nestor e como devia, pediu desculpas, e resposta que teve de Nestor foi;
QUE É ESTA TAL DE ADRANA?
