segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Quem é essa tal Adriana

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Adriana era uma menina sensata, obediente para com seus pais, cuidava bem de suas coisas, era dedicada no colégio, e nunca levou nem um tipo de problema para casa, sempre alcançou todos os objetivos no colégio.
Mas Adriana cresceu se tornou uma mulher muito bonita, algumas pessoas até diziam que ela deveria entrar em um concurso de beleza, mas ela não queria, não tinha nem um interesse em se mostrar publicamente seus objetivos eram outros, mas nunca revelou para ninguém, nem mesmo para sua mãe.
Com dezoito anos, nunca falou em namorado, conversava com todos os colegas, mas em namoro não aceitava falar, dizia que não era do seu interesse namorar ninguém, mesmo porque nenhum dos rapazes que ela conhecia lhe chamavam atenção.
Mas Adriana tinha uma paixão.
Ainda menina conheceu alguém, foi uma coisa rápida, só um esbarrão e;
_ Você está bem?
– Sim, obrigado!
Depois disto só alguns olhares de longe e mais nada.
Na ocasião talvez ela tivesse 12 anos, mas sue coração disparou e ela nuca mais conseguiu pensar em mais ninguém, a não ser naquele homem, e ela sabia que ele sentia por ela uma atração muito grande.
Mas assim como ela não podia contar pra ninguém provavelmente ele também não poderia, ele teria idade para ser seu pai, talvez fosse até pai de algum de seus colegas, ou suas colegas, ela não sabia, nem todos os pais iam às reuniões do colégio.
Nem onde ele morava, ela não sabia. As poucas vezes que se viram, foi na rua ou no choping, e ela não teria coragem de perguntar. Ele também nunca perguntou.
Com o passar do tempo, Adriana quase não o via mais aquele homem, antes ela o via duas ou três vezes na semana, agora uma vez por mês, e às vezes não via por um período maior do que um mês.
Adriana começou a ficar angustiada, tanto que sua mãe percebeu, e como não poderia ser diferente, quis saber o que estava acontecendo.
As primeiras vezes que a mãe perguntou, ela simplesmente disse; _ Não é nada mãe!
Sua mãe voltou a notar o seu jeito, diferente de agir, e como toda boa mãe sempre nota quando alguma coisa não vai bem com os filhos, e voltou a perguntar o que estava acontecendo.
Então Adriana começou a chorar; _ Mas o que esta acontecendo minha filha você sabe que sua mãe é sua amiga, e você pode confiar, me fale, por favor!
Adriana não tina coragem de contar seu segredo de tanto tempo, mas ao mesmo tempo sabia que precisava dividir aquele problema com alguém, e este alguém, só poderia ser sua mãe.
Então Adriana contou tudo como tinha acontecido.
_ Mas minha filha você já devia ter me falado isto há mais tempo, afinal eu sou sua mãe! E mãe também tem sentimento, e alem do mais, eu também já fui menina igual a você, também tive minhas fantasias!
_Mas mãe, isto não é fantasia, isto é um sentimento de verdade, eu amo aquele homem!
_Como que você pode amar alguém que nem sabe quem é só por que esbarrou nele uma vez, e ele foi gentil com você, isto não quer dizer que você esteja apaixonada por ele.
-Por acaso você sabe o nome deste homem, onde ele mora, o que ele faz, se tem família ou não. Quantas vezes você conversou com ele? Ele por acaso sabe que você existe?
-Como sabe se eu existo?
-Sim, ele por acaso sabe que você gosta dele, pelo menos seu nome ele sabe?
-Não... Eu não sei. Mas eu sinto que ele gosta de mim!
-Minha filha, ninguém sente pelos outros a distância, se pólo menos vocês tivessem conversado algumas vezes, mas você só viu este homem de longe e nem sequer teve coragem de se aproximar dele, você se apaixonou por uma imagem de homem, e não por um homem de carne e osso, é como você se apaixonar por um artista de cinema ou TV, isto não existe.
-Quando você começar a olhar para os rapazes que andam por ai você vai ver como é diferente.
-Por que você não vai dançar, ou a algum barzinho conversar como suas amigas fazem?
-È que eu acho isto muito chato!
-Muito chato? – Como muito chato, se você nunca foi!
-Vamos fazer o seguinte, para acabar com esta sua angustia. _ Na próxima vez que você ver este homem você vai falar com ele.
-Mas mãe, eu vou falar o que?
-Qualquer coisa, pede uma informação, crie alguma coisa, quando se quer falar com alguém qualquer coisa serve de motivo. Depois de alguns segundos de conversa você poderá saber o que você quiser, inclusive se ele tem algum interesse por você.
- Mas eu não vou ter coragem de falar com ele!
-Então você vai passar o resto da sua vida nesta angustia, só porque não tem coragem de conversar com uma pessoa.
-Mas ele não e apenas uma pessoa!
_Como não é apenas uma pessoa?
-È que ele é diferente!
-Diferente como? – Ele não é um homem?
- Sim é... Quer dizer... Não sei eu estou confusa.
_Como assim confusa? Esta pessoa é ou não é um homem? Ou será que é um fantasma da sua imaginação?
_Não... Quero dizer sim, ele é um homem claro, mas é diferente!
_Mas diferente em que?
_Diferente ora!
_O que ele tem que os outros não têm? Ou o que ele não tem que os outros tem?
_Sei lá mãe, a senhora me deixa confusa!
_ Não eu não a deixo confusa, eu estou tentando tirar a confusão de sua cabeça, enquanto você tiver nesta duvida não conseguirá viver como todas as outras pessoas.
_Mas eu não quero viver igual às outras pessoas!

Mas isto não fás sentido, qual é seu objetivo de vida?
Você que sempre teve atitudes sensatas, um comportamento digno, todas as pessoas gostam de você, eu não vejo em que você possa ser diferente. Você poderia me explicar?
Eu ainda não sei como, mas sei que vou conseguir, em algum lugar do mundo encontrarei aquilo que vai me satisfazer. Então eu poderei me sentir realizada, eu ainda não tenho idéia do que seja, mas quando eu encontrar saberei reconhecer.
Credo filha, eu nunca vi você falar assim antes, parece que é alguém diferente mesmo, eu só ainda não entendi o que você pretende encontrar!
Adriana seguiu os conselhos de sua mãe, foi procurar o tal príncipe encantado, estava disposta a falar tudo o que sentia, e acabar de vez com aquela angustia que estava lhe sufocando.
Mas a coisa não seria tão fácil como ela esperava um, dois, três dias, uma semana, um mês, dois três, e nada, parece que o seu príncipe evaporou, e ela não tinha como pedir uma informação.
Nunca observou os horários em que se viam, nem que altura ele tinha, nem que tipo de roupa usava. Na sua retina só tinha a imagem de um rosto, apenas isto.
A angustia de Adriana aumentava à cada dia mais, ela já não sabia mais o que era ter sossego, os estudos não mais dava nem uma importância, não se alimentava direito, não conversava com ninguém, começou a faltar aulas, aquele carinho com que tratava seu pai já não era o mesmo, e ele quis saber o que estava acontecendo.
Luiz nunca tinha visto sua filha tão abatida, pouco conversava com ela, estava sempre ocupado com seus negócios, às poucas vezes que se falavam era quando na hora da janta que ele perguntava; - Como está a minha menina? Dava-lhe um abraço e perguntava se estava precisando de alguma coisa, às vezes perguntava sobre o colégio, mas não passava disto.
Então Adriana relatou para seu pai o que estava acontecendo, Luiz nunca imaginou que algo assim pudesse acontecer com sua filha, mas prometeu que daquele dia em diante seria um pai mais presente.
O problema de Adriana parecia bem mais difícil de resolver do que realmente era. Mas isto nem ela e nem seus pais sabiam, alguém do colégio que nem ela imaginava sabia de tudo, e também sabia por que motivo Adriana não encontrou aquele homem, que ela achava que estava apaixonada por ele.
Dalva sua professora era casada com Nestor, o homem misterioso, que Adriana pensava estar apaixonada.
Nestor contou para Dalva o estava acontecendo, ele sendo um homem experiente notou o comportamento da menina, e como era um homem responsável procurou evitar que ficassem se cruzando a toda hora, e foi mudando seus horários para não coincidir com os de Adriana, e assim evitar problemas maiores. Dalva notou que o comportamento de Adriana, havia mudado muito nos últimos meses, então foi procurar a mãe de Adriana. Antes de tomar esta decisão Dalva pensou muito a respeito do assunto, não sabia qual seria a reação da mãe de Adriana.
Também não sabia se a mãe de Adriana já estava a par do assunto, que era bastante delicado, mas precisava ser resolvido, e Dalva estava resolvia a acabar logo com aquela situação.
Quando chegou, foi à própria mãe de Adriana quem atendeu a porta, e vendo logo que a professora não estava muito a vontade, foi logo perguntando;
_Algum problema com a Adriana no colégio?
_ Acho que não apenas no colégio, e sim na vida dela como um todo!
Então ela já conversou com a senhora a respeito do problema?
_Não! Ela não me falou nada, mas eu já estou apar há bastante tempo.
_Não entendi! _ A senhora pode me explicar melhor?
_Eu sei por que Adriana anda perturbada.
_Continuo não entendendo. Se ela não lhe falou como é que a senhora sabe?
_Vamos ser diretas! Se a senhora me permite? Disse Dalva. _O problema de Adriana é por causa de um homem? _ Ou estou errada?
_Sim é. _Mas como que a senhora sabe? Perguntou surpresa a mãe de Adriana.
_Por que o homem em questão é meu marido. Respondeu Dalva.
_Meu Deus! Que vergonha!
_Não, a senhora não precisa ficar com vergonha, nada aconteceu que possa envergonhá-la, é apenas uma ilusão de menina nada mais! Falou Dalva.
_Mas como que a senhora soube professora?
_Meu marido me contou. Eu sabia desde o primeiro dia, mas achamos que seria uma coisa passageira, e não damos muita importância.
_Mas nos enganamos, cada vez que ela o via parecia estar mais encantada, foi então que ele resolveu a mudar seus horários para evitar, que ela o visse, talvez assim ela mudasse, e começaria a olhar para outros, e acordasse daquele delírio.
_ Mas como à senhora que é mãe dela mesmo vê, parece que nada mudou, e eu sinceramente não sei por onde começar.
Neste momento Luiz pai de Adriana acabava de chegar, então sua esposa relatou-lhe o que estava acontecendo, e que elas não tinham idéia de como resolver aquela questão.
_Pode deixar, eu tentarei solucionar o problema.
_Onde posso encontrar seu marido? Perguntou Luiz, num tom de voz bastante preocupante.
_Você não vai fazer nem uma bobagem? _O que está pensando em fazer?
_Não. Eu não vou fazer bobagem, acho que é a única maneira de resolver este assunto, aliáz eu acho que seu esposo já devia ter tomado esta decisão há muito tempo.
_Se ele sabia do interesse da menina já devia ter falado com a gente há bem mais tempo e esta situação não teria chegado aonde chegou!
_Sim, o senhor tem razão, é que agente pensou que seria uma coisa passageira, e não deu muita importância.
_Passageira, a senhora chama de passageira, um coisa que já dura a mais de cinco anos.
_È a gente tentou, ele até mudou seus hábitos, seus horários para não encontrar com ela, mas parece que ao invez de diminuir o interesse dela, aumentou mais.
_Mas isto era uma coisa bastante previsível, para quase todo jovem, o proibido, o misterioso é que mais os fascina, as coisas comuns não os atraem.
_E o que o senhor sugere?
Falaremos com seu esposo e faremos com que ela o encontre com se fosse casual, e ele lhe explicará, que foi só uma ilusão e que ele é um homem casado, e não tem nem um interece nela, e tudo estará resolvido.
Assim foi que eles pensaram que tudo seria resolvido.
Mas a história foi bem outra, é muito difícil saber o que acontece, na mente de uma pessoa, muitas vezes, diz uma coisa e está pensando bem diferente.
Na ocasião em que aconteceu o dito, (esbarrão) Adriana era apenas uma menina, agora Adriana já é uma mulher, uma linda mulher, que tem uma forte atração por um homem que a principio realmente não tinha interesse por ela que era apenas uma menina.
Adrana realmente não o via há bastante tempo, mas ele a via seguidamente, ele sabia os lugares onde ela passava, e ficava a olhando agora com segundas intenções, por que não existe um ser perfeito, aquela tentação sempre faz com que todo o individuo por mais forte que seja uma hora ou outra vai fraquejar.
O que os olhos não vêem o coração não sente, mas os olhos de Nestor sempre viam Adriana, agora cada vez com maior interesse, na sua visão ela cada dia parecia mais linda e tentadora, e ele sabia que só dependia dele para que ela fosse sua, e o desejo a cada momento se tornava maior.
Quando Dalva ligou pra ele dizendo que ele deveria encontrar-se com Adriana, seu coração quase saiu pela boca de tanta ansiedade.
Adrana tinha ido até a casa de uma amiga, e depois passaria em uma loja para comprar algumas coisas, Nestor deveria encontrar ela na saída da loja como se fosse por acaso. Então ele a convidaria para ir até algum lugar para conversar, e assim ele fez.
Adriana a princípio ficou surpresa, até um pouco assustada, ela nem estava pensando mais em encontrá-lo, quando o viu ficou sem saber o que dizer, quando ele a convidou para conversar, teve vontade de sair correndo para casa, por mais esforço que fizesse as palavras teimavam em não sair da sua boca.
Ficou ali parada sem saber que atitude tomar aquilo que ela tanto queria, e que parecia impossível estava ali diante dela e ela não sabia o que fazer, suas pernas tremiam pensou até que ia desmaiar.
Nestor também não esperava tal reação, não sabia o que fazer, quando foi ao encontro de Adriana imaginava que ela logo aceitaria o seu convite, e tudo se resolveria facilmente, mas ele também se enganou.
Nestor estava em uma situação que jamais imaginava estar, ali plantado em frente de Adriana sem saber o que dizer, se sentiu um verdadeiro idiota, aos poucos foi reecuperando-se da surpresa.
Não tinha idéia de quanto tempo ficou ali, mas que pareciam horas, até que ele resolveu por fim naquela situação.
_Quem sabe a gente deixa esta conversa para outro dia?
Pode ser?
Adrana não abriu a boca, só fez um sinal afirmativo com a cabeça, e saiu quase correndo.
Nestor não entendeu absolutamente nada, aquela impreção que ele tinha que a moça estava interessada nele, desapareceu. Então ele sentiu-se realmente um idiota, ele logo ia fazer cinqüenta anos e Adriana tinha apenas dezoito. Será que ele tinha se enganado tanto assim.
Professora Dalva e a mãe de Adriana ainda estavam conversando, quando ela entrou em casa quase correndo, não falou com ninguém e foi direto para o seu quarto.
Sua mãe e a professora tiveram o mesmo pensamento, ele falou com ela e disse aquilo que todos esperavam que ele tivesse dito, não podia ser diferente foi o que pensaram.
Dalva despediu-se da mãe de Adriana e foi embora, convencida que estava tudo em ordem.
Quando Dalva chegou em casa esperava encontrar Nestor, mas Nestor não estava em casa, mas daria tempo suficiente para ele chegar, será que ele resolveu ir em algum outro lugar, e não a avisou.
Passaram-se algumas horas e Nestor não apareceu. Então Dalva ligou para o celular de Nestor, estava desligado ou fora de área.
Ela começou a ficar preocupada, o que teria acontecido, ele não costumava fazer isto.
Ficou indecisa, não sabia que atitude tomar, por que motivo ele ainda não tinha chegado e por que estava com o telefone desligado.
Ligou para casa de Adriana, e pediu para a mãe dela perguntar se ela tinha falado com o seu marido.
Dalva mais preocupada ficou ainda, será que ele tinha ido ao local combinado, teria ou não falado com Adriana, se não tinha por que Adriana entrou em casa daquele jeito, o que teria acontecido.
E Adriana respondeu; - Mãe eu não tenho a menor idéia de quem seja o marido da professora Dalva, eu nem sabia que ela era casada, que eu saiba ela nem filhos tem!
_Mas então filha você pode me dizer o que aconteceu que você entrou correndo em casa como se tivesse visto algum bicho papão. _ Você se importa de conversar sobre o assunto?
_Que assunto mãe? Eu não sei de que assunto a senhora está se referindo!
Você não encontrou o tal homem, que diz que está apaixonada?
_Que homem mãe? Que apaixonada? Que doideira é esta, eu nunca estive apaixonada por homem nenhum, aliáz eu nem sei de onde que a senhora tirou esta idéia!
A mãe de Adriana não sabia o que dizer, será que estava ficando doida ou era sua filha que tinha pirado!
Quando Luiz chegou em casa foi logo conversar com ele e contar o comportamento da filha.
_Olha minha querida, é melhor a gente deixar assim, vamos só ficar observando, pra mim ela acordou, melhor por enquanto não falar nada.
Nestor chegou em casa já era noite, completamente bêbado, Dalva ficou assustada, ele nunca tinha bebido, não que ela soubesse, em casa só tomava refrigerante de vez em quando, o normal era água.
Quis saber o que tinha acontecido, mas ele não tinha condições de explicar nada, esperaria até o outro dia quando ele estivesse melhor.
Nestor deitou e dormiu no sofá do jeito que chegou nem banho tomou Dalva nem tentou fazer nada, o deixou dormir ali, quando acordasse certamente tomaria um banho depois conversariam e ela saberia o que tinha acontecido e qual o motivo da bebedeira.
Mas não foi bem assim, no outro dia quando Dalva acordou, Nestor já não mais se encontrava em casa.
Notou que no roupeiro de Nestor estava tudo revirado, e faltavam várias peças de roupa.
Por que razão Nestor faria isto, foi até a garagem, e o carro dele também não estava. Pra onde Nestor teria ido e por que.
Alguém teria que ter alguma explicação, e esta alguém era Adriana.
Dalva não perdeu tempo e foi até a casa de Adriana.
Quando ia chegando Adriana estava saindo, e ali mesmo na rua foi perguntando;
_O que você fez com meu marido?
_ O que é isto professora? Eu nem sei quem é seu marido, aliáz eu nem sabia que a senhora era casada!
_Mas você não falou com ele ontem?
_Engraçado, minha me fez esta mesma pergunta ontem. Por que motivo eu teria de falar com seu marido se eu nem o conheço, eu nem nunca o vi.
_Mas ele disse que você estava apaixonada por ele! Afirmou Dalva.
_Isto deve ser uma brincadeira, e de muito mau gosto por sinal. Como que eu posso me apaixonar por alguém que nunca sequer ouvi falar.
_Aliáz ouvi falar ontem e hoje, minha mãe falou ontem e a senhora falou hoje, mas eu não sei quem é seu marido, e eu nunca estive apaixonada por ninguém, muito menos por seu marido, eu hém!
_Ontem quando você saiu você não falou com um homem?
_Sim, com mais de um até, com o pai e o irmão de Clara minha amiga.
Eu estou falando depois que você saiu da casa de sua amiga?
Falei sim, mas por que este interece todo?
Posso saber com quais homens você falou?
Pode sim, mas eu não estou entendendo, o que tem a ver com seu marido, por que eu deveria falar com seu marido, se eu não conheço seu marido, eu nunca vi seu marido. O que afinal aconteceu com seu marido, e o que eu tenho a ver com isto?
_È que meu marido saiu de casa para encontrar com você.
_Encontrar comigo! Mas por que motivo ele iria encontrar comigo?
_Adriana eu sei de tudo o que estava acontecendo com você!
_Acontecendo comigo! Mas o que estava acontecendo comigo que eu não sei? Será que tive um problema de amnésia, ou estou ficando maluca. _Ou é vocês que estão malucos?
_Sua mãe está em casa?
_Sim, a senhora quer falar com ela?
_Sim, eu quero, mas gostaria que você estivesse presente.
_E no que a minha presença vai mudar a sua conversa com a minha mãe?
_Mas o assunto é sobre você!
_Sobre mim! Alguma coisa a ver com o colégio?
Dalva viu que não podia ser de outro jeito, ela estava disfarçando muito bem ou estava com um problema serio.
Pensou logo em dupla personalidade, mas seria bastante estranho, ela nunca se comportou daquela maneira, pelo menos no colégio, a não ser que em casa tinha um comportamento diferente.

Professora Dalva foi falar dona Julia Mãe de Adriana, precisava esclarecer aquela situação, que já estava se tornando constrangedora.
Dalva já estava se sentindo ridícula diante daquela jovem, quando ela chegou pensou encontrar uma Adriana frágil e indefesa com os nervos a flor da pele, mas a história foi bem diferente, quem agora estava nervosa era Dalva.
Dona Julia também ficou surpresa, também não estava entendendo nada. O que teria acontecido para Adriana agir daquela maneira.
Dona Julia e professora Dalva, colocaram-se diante de Adriana para começar o interrogatório.
Mas quem começaria, e como perguntariam, e o que perguntariam, Adriana estava ali diante delas, pelo menos aparentando uma tranqüilidade que elas não conseguiam entender.
Dona Julia tomou a iniciativa. Teria que fazer a coisa certa, para não causar problemas para a jovem, Adriana era sua única filha, ela teria que ter cuidado, não tinha idéia do que estava acontecendo.
Mas precisava perguntar alguma coisa, teria que começar de alguma forma, então decidiu que seria assim; _ Minha filha nos estamos preocupadas com você, seu comportamento está nos deixando preocupadas.
_ Mas preocupadas por quê? Por acaso eu estou doente e não sei? Eu não estou sentindo nada diferente daquilo que sempre senti a única coisa que não está muito bem, é que não ando com muita vontade de estudar, mas não vejo nisto nem um mal tão grave assim, que precise de uma reunião.
_Não, não é isto minha filha, o que está nos preocupando é outra coisa!
_E posso saber que coisa é esta?
_ È claro que sim filha!
_Já faz algum tempo que você andava abatida, desligada dos estudos, então eu lhe perguntei o que estava acontecendo, você me disse nada mãe! _ Sim e daí.
_Não estava acontecendo nada mesmo, eu só não estava com muita vontade de estudar, isto por acaso não é uma coisa normal, alguém ficar por algum tempo sem vontade de estudar.
_Não, não é só isto você mesma me confessou que estava apaixonada por um homem!
_Eu apaixonada por um homem, isto deve ser algum delírio da senhora!
_Não filha você falou pra seu pai também
A situação se complicava, Dalva e dona Julia estavam sem saber o que dizer, mas alguma coisa teria que ser feita, mas o que?
Adrian não aparentava nem um sinal de descontrole, com as perguntas que as duas lhe faziam.
Seu Luiz demoraria a chegar do trabalho, só vira a noite, e ainda não era meio dia, mas aquela situação precisava ser resolvida, e dona Julia e Dalva não saberia como.
Então dona Julia resolveu telefonar para o pai de Adriana, junto com ele tomariam as a decisão mais conveniente.
Dalva foi para sua casa tinha que resolver o seu problema, encontrar Nestor e saber o motivo da atitude tomada por ele, por que tinha bebido, e pior por que tinha saído de casa sem dar nem uma explicação.
Dalva chegou em casa, e nem sinal de Nestor, nem um telefonema nada, ligou para o celular dele estava desligado, teria que esperar ate o outro dia para pedir auxilio da policia.
Que situação! O que teria acontecido? Esta era a pergunta. Nestor teria ou não falado com Adriana. O que ela teria dito a ele, ou melhor o que ele teria dito a ela?
Os dias de Dalva foram longos, diria intermináveis, tal era a sua expectativa em saber a razão de Nestor desaparecer assim, sem dar explicações.
Adriana por mais que perguntassem, repetia sempre a mesma resposta, não sabia a quem estava se referindo, nunca tinha visto o tal marido de sua professora.
Já estava reclamando da insistência, sempre batendo na mesma tecla.
_Vocês estão me achando com cara de louca? Se disse que não sei do que estão falando , é por que realmente não sei, e pronto.
Era preciso levar Adrana a um médico. Mas o que diriam a ela? Por que motivo a estavam levando ao médico.
Estavam em uma situação bastante difícil de resolver, não podiam falar pra ela, podiam tornar o problema muito maior.
Mas Adriana escutou a conversa de seus pais, e para a surpresa de todos falou; _ Querem em levar ao medico? Sem problema, vamos au médico. Só que será perda de tempo, eu não tenho nem um tipo de problema. Não perdi o juízo, melhor acho que encontrei o juízo!
Seu Luiz olhou rapidamente para Adriana, por alguns segundos ele perdeu o controle da situação, mas apenas alguns segundos, dona Julia nem percebeu, mas seu Luiz sim, e ela sabia disto, por um momento ficou levemente perturbada, mas logo voltou a tomar conta da situação.
Senhor Luiz sorriu, e disse: Esqueça o médico, nossa filha esta perfeitamente bem, não tem problema algum, posso garantir!
_Não entendi! Falou dona Julia. Como não tem problema algum. Será que sou eu que estou ficando maluca?
_Não minha querida! Disse seu Luiz. Você não está maluca, aliáz não tem ninguém maluco aqui, mas eu e minha filha vamos conversar só eu e ela, e deve ser agora.
_ A senhora dona Julia pode nos deixar a sós, por favor?
_Mas por que deixá-los a sós, o que você sabe que eu não sei?
_Fique tranqüila que depois eu lhe conto tudo.
Dona Julia se retirou da sala onde estavam. Então seu Luiz falou; _ Agora é nós!
Adriana ainda tentou disfarçar, mas não conseguiu, seu pai era bem mais esperto do que ela imaginava, estava acostumado lidar com pessoas de todo o tipo, era preciso estar sempre atento. No mundo dos negócios não ha. lugar para quem enxerga pouco, é preciso estar sempre de olhos e ouvidos bem abertos, e seu Luiz fazia isto muito bem, ou não seria um empresário bem sucedido.
_Pode começar a falar minha filha, seu pai é seu amigo, seu melhor amigo, com certeza!
_Bem pai, é que eu estou com vergonha de falar, a minha mãe tinha razão, eu não estava apaixonada por uma pessoa, era apenas uma fantasia minha.
_E por que você não falou pra ela?
_É que quando eu cheguei, a professora Dalva estava aqui, como que eu ia falar alguma coisa.
_Mas afinal aconteceu alguma coisa?
_Como assim? Aconteceu alguma coisa?
_Você falou com o tal homem?
_Não! Eu não falei!
_Não entendi! Como não falou?
_È que eu ia saindo da loja, então ele apareceu assim der repente na minha frente, e falou uma porção de coisas, nem me lembro direito, só sei que na hora tive vontade de sair correndo para casa.
_Então ele disse para a gente se encontrar outro dia, e se estava bom para mim, eu fiz sinal que sim e sai correndo e nem olhei para traz, ate chegar em casa, quando cheguei vi mamãe conversando com a professora Dalva, então fui para meu quarto, mais tarde mamãe perguntou se eu tinha visto o marido da professora, só então que fiquei sabendo que o tal homem era o marido da professora.
_A gora o senhor imagina a situação que eu estava.
_O melhor que eu tinha a fazer era fingir que não sabia de nada.
_Depois eu fiquei entre a cruz e a espada, então achei melhor assim, não imaginava que o homem ia desaparecer!
_Na verdade eu não tenho a menor idéia por que ele desapareceu, eu não falei uma palavra sequer.
_A não ser que ele se assustou de mim, por que eu fiquei bastante assustada, devo ter feito uma cara de susto daquelas.
Pai e filha começaram a dar gargalhada.
Dona Julia escutou e foi ver o que estava acontecendo, quando entrou na sala, pai e filha continuavam a rir.
_ Afinal qual a razão de tanta graça? Posso tomar parte? _ Claro! Falou seu Luiz; E contou o que tinha acontecido.
A princípio dona Julia achou graça:
_Gente a coisa não é tanto para graça, temos que ver a situação da professora Dalva, precisamos ligar pra ela, e saber se seu marido já apareceu.
E foi o que dona Julia fez, ligou para professora.
Nestor ainda não tinha dado noticias.
_Você precisa ir ate lá minha filha, e dizer pra ela o que realmente aconteceu.
_Mas mãe, não aconteceu nada!
_Como não aconteceu nada! _Aconteceu sim!
_E ninguém sabe o que esta passando pela cabeça da dona Dalva, eu irei com você ate lá; Falou dona Julia.
_Mas mãe, e o que eu vou dizer?
_Nada, você não precisa dizer nada, deixe que eu diga, e também acho que sei por que o marido dela sumiu.
_E por que o marido dela sumiu?
_Isto eu não posso dizer pra você, mas pra ela eu direi.
_E como está misteriosa! Brincou seu Luiz.
O que teria dona Julia pra dizer a professora Dalva?
Adriana e sua mãe foram até a casa da professora Dalva.
A professora as recebeu chorando, ainda não tinha noticia de Nestor, nem a policia havia encontrado pistas, o homem havia se evaporado, nem rastros deixou.
Dalva já havia ligado pra mãe dele e para o irmão ninguém dava noticias.
O irmão de Nestor o Nelson, estava pra chegar a qualquer momento para ajudar em alguma coisa, se é que era possível ajudar.
Adriana encheu-se de coragem e contou como tudo aconteceu.
A professora ai então que não entendeu mais nada, se ele não tinha falado nada, ela também nada falou, por que motivo ele fez tudo aquilo, e por que saiu de casa.
A professora estava desolada; - Meu Deus o que pode ter acontecido, será que ele tinha algum outro problema e eu não sabia? E se tinha por que não me contou? Ele sempre me contava tudo, não tínhamos segredos um com outro.
A mãe de Adriana não conseguiu mais ficar calada.
_Me desculpe professora, mas a senhora enxerga bem menos do que pensa seu marido não lhe contava tudo não!
_Não, por que a senhora fala isto?
_ Ele lhe contava às coisas que aconteciam e não as que ele gostaria que acontecessem.
_Não entendi. A senhora pode me explicar melhor?
_Bem minha filha eu vou falar na sua frente, para que você fique sabendo como são as coisas, nem tudo aquilo que aparenta ser é a realidade.
_Fás muito tempo que você não via aquele homem, mas ele nunca deixou de lhe ver, ele sabia todos os seus caminhos, ele não queria que você o visse, mas ele nunca deixou de lhe ver, quase todos os dias. _E você minha filha de uma menina se transformou em uma mulher linda, e isto despertou um grande interesse dele por você.
Dalva quase desmaiou, nunca tinha pensado nesta possibilidade, seu marido sempre comentava sobre Adriana, mas não falava que ela estava linda, também ela não fazia muitas perguntas tinha a impreção que aquilo o aborrecia.
Na verdade não o aborrecia ele é que tinha medo de se denunciar, e Dalva saber do seu interesse pela moça.
Nestor alimentou a esperança de um dia ter aquela menina, que agora era uma mulher linda para ele, se ela estava apaixonada por ele tudo seria extremamente fácil, ninguém jamais desconfiaria.
Mas as coisas não aconteceram como ele esperava, e ele se sentiu o pior dos homens, não sabia como encararia sua mulher, como que explicaria tudo?

Dalva parecia estar em meio a um terremoto. Suas pernas tremiam, suas mãos estavam suadas, seu coração parecia que ia parar, sentiu um aperto no estomago, e teve vontade de vomitar, ficou numa palidez quase transparente.
Dona Julia percebendo que Dalva estava passando mal, pediu a Adrana que procurasse algo para ela tomar, uma bebida forte de preferência.
Depois de dez dias chegou à primeira noticia de Nestor, tinha ido para a casa de praia, e ficou lá encerrado por vários dias, só saia à noite para comer e comprar alguma coisa.
Dalva então pediu para Nelson ir até a casa da praia, conversar com Nestor, saber por que ele agiu daquela maneira.
Chegando lá, Nelson encontrou Nestor em um estado deplorável, nem parecia o seu irmão que andava sempre elegante e bem vestido. Nestor estava com a barba por fazer a vários dias sujo descalço, e o pior, bêbado.
_Mas o que está acontecendo meu irmão?
Falou Nelson. Você nunca fez isto!
_Vamos fazer o seguinte, você vai tomar um banho depois a gente conversa, ta bom!
_Pra que tomar banho? Eu não estou precisando de banho. Estou precisando ficar aqui sozinho sem ninguém pra me enche o saco. Ta bom?
_Mas a sua casa, sua esposa, não se preocupa com ela, ela esta aflita sem saber onde você está.
_Vamos tomar um banho e depois voltaremos para casa ta bem?
_Mas eu já estou na minha casa. Ou você já se esqueceu que esta casa é minha?
_Não e não me esqueci. Mas Dalva quer você em casa junto dela!
_Pra que Dalva me quer junto dela, pra me encher de perguntas que eu não sei responder!
_Na verdade você terá que responder algumas perguntas sim, mas todas eu sei, que você sabe responder.
_Como é que você sabe o que eu sei?
_Você não sabe nada da minha vida, você nem imagina o que eu estou sentindo agora!
_Você que é todo metido a saber dos problemas dos outros, garanto que nem os seus consegue resolver.
Nelson era analista e psicólogo, mas tinha problemas com seus próprios filhos e mulher.
Mas as coisas são assim mesmo, sempre parece que o problema dos outros é mais fácil de resolver.
Mas o problema em questão agora era de Nestor, e não de Nelson.
_Mas isto não pode ficar assim. Falou Nelson. _Você precisa ir falar com Dalva, ela esta desesperada, e que saber por que motivo você agiu desta maneira!
_Eu não falei que ela iria fazer um monte de perguntas que eu não sei a resposta, tai ó, e você quer que eu a enfrente. Você está maluco? Eu não vou mesmo, e fim de papo!
Nelson não viu outra saída, teria que buscar Dalva para falar com Nestor lá mesmo na casa da praia.
Mas Nelson não poderia deixar Nestor só ali e ir, ele iria para outro lugar, e seria mais difícil de encontrá-lo de novo, melhor seria ligar para Dalva e pedir para ela ir ate lá, e foi o que ele fez.
Quando Dalva chegou, Nestor estava dormindo, e já era tarde da noite, teria que esperar, na manha seguinte falaria com ele.Mas desta vez Dalva vez diferente, combinou com Nelson, ficariam de plantão e não deixariam ele fugir de novo.
Nestor acordou durante a madrugada, e com seu irmão imaginava tentou fugir do local, mas Nelson estava atento e não deixou sair.
_Você poderá ir onde quiser, mas só depois de nos dizer, por qual motivo agiu desta maneira.
_Mas eu não posso fazer isto!
_Com não pode? Só você é quem pode nos explicar, nós não somos adivinhos, então trate de falar.
_Eu juro a você que tentarei entender. Disse Dalva. Afinal todo mundo comete erros, mas sempre ha. meios de ser consertado!
_ Meu erro vai demorar muito pra ser consertado, ou talvez eu nunca consiga consertar.
_Eu não enganei apenas a você, eu enganei a mim mesmo, eu me convenci que podia ser quem eu não sou.
_Vocês podem entender o que eu estou dizendo?
_Pode me explicar melhor? Perguntou Dalva.
_Sim. Vou tentar; Sabe aquela menina a quem eu achava que estava apaixonada por mim?
_Sim eu sei. Disse Dalva.
_Pois é eu sempre achei que realmente ela estava apaixonada por mim. Eu nem sei por que pensei que fosse possível.
_Mas e daí o que tem a ver, o que você pensava com a atitude que você tomou. Ela lhe disse alguma coisa tão grave que o abalou desta maneira?
_Que eu saiba ela não lhe disse uma palavra sequer. Estou errada? Perguntou Dalva.
_Talvez se ela discesse seria melhor, por que o olhar de terror com que ela me olhou, não deixou nem uma dúvida!
_Mas dúvida de que homem de Deus? Falou Dalva.
O sentimento que ela tem por mim, é pior que medo, nojo ou desprezo.
_Mas por que você pensa assim? Perguntou Nelson.
_O jeito que ela me olhou, eu jamais vou esquecer, parecia que estava vendo um monstro em sua frente.
_Engano seu meu irmão, ela apenas ficou assustada, foi algo que ela não estava esperando.
Alem do mais, já fazia algum tempo que ela não o via.

Dalva resolveu contar o que tinha combinado com dona Julia, na verdade Adriana é quem deveria abordar Nestor, falar do seu sentimento, ou do sentimento que ela pensava sentir.
Mas as coisas aconteceram de maneira diferente, Nestor em cinco anos também mudou muito, teve problemas de saúde e envelheceu bastante.
Dalva que estava com ele no dia a dia não notara a diferença, mas quem passou vários meses sem o ver, notou bastante a mudança.
Nos últimos três anos, Nestor envelheceu como se tivesse passado dez, ou mais anos, e já não tinha mais aquela elegância, e Adriana notou que aquele não era o homem que ela pensava que fosse, e que aquilo que ela pensava sentir era só uma ilusão de menina, nada, além disto, e que acabou no momento que ele a abordou na saída da loja.
_È parece bem fácil de resolver, mas não é, só quem pode avaliar esta situação, é quem vive ela.
_Em todo este tempo alguma coisa nasceu dentro de mim, eu nem sei como explicar, ou seja, nem sei se da para explicar. Argumentou Nestor.
É exatamente o que disse dona Julia, ela descreveu exatamente o que você está dizendo, eu nunca imaginei que ela teria tal conhecimento, estou surpresa; Falou Dalva.
_E agora o que vocês pretendem fazer comigo? Perguntou Nestor.
_Nós nada, você é quem precisara tomar uma atitude em relação a sua vida, se atirar em desgraça de nada vai adiantar, a mesma ilusão que Adriana criou e superou você também tem de superar e cair na realidade, e saber que é um objetivo inalcançável e esquecer. Falou Nelson.
_E agora vamos voltar para casa e retomar a nossa rotina diária, você principalmente seus negócios estão todos parados, e precisam ser colocados em ordem, e só você pode fazer isto. Completou Dalva.
Retornaram para casa, aparentemente tudo estaria resolvido, mas não foi bem assim, tinha muita água pra rolar nesta historia.
Adriana sabendo do drama que Nestor estava vivendo resolveu mostrar um lado de sua personalidade que nem ela mesma conhecia.
Nestor mesmo não acreditando que tinha alguma chance, e que também não devia alimentar esperanças, começou a freqüentar lugares onde sabia que Adriana também freqüentava.
Tinha esperança de ve-la de longe como costumava a fazer antes, só que agora de uma maneira diferente, ele estava perdidamente apaixonado por Adriana, e Dalva sabia, mas Dalva tinha esperança que logo acabaria, acreditava que Adriana não daria nem uma esperança para Nestor.
Sabendo que Nestor estava presente, Adriana tentava se mostrar ao Maximo para que ele a visse, e ao mesmo tempo fazia de conta que não o via, procurava passar o mais perto possível, usava roupas bem provocantes, e também perfumes bastante sensuais.
Nestor a cada dia aumentava o desejo que tinha de ter aquela mulher em seus barcos, ela parecia tão perto, e ao mesmo tempo tão longe, e isto que o deixava cada vez mais louco. Seus negócios iam de mal a pior, seus sócios já começavam a reclamar, do seu desinteresse não tomava decisões, não resolvia questões, e pior estava sempre de mau humor, chegava sempre tarde e com cheiro forte de bebida, o que estava trazendo maus resultados para a empresa.
Vendo que as reclamações para Nestor não estavam surtindo efeito, os sócios convidaram Dalva para uma reunião, precisavam resolver o problema, ou Nestor assumia suas responsabilidades, ou a sociedade teria que ser desfeita, do jeito que estava não podia continuar.
Dalva compareceu a reunião muito constrangida, não costumava a freqüentar as reuniões de negócios de seu marido, conhecia os sócios de Nestor das reuniões sociais, mas pouco falava com eles, conversava sim com suas esposas.
Mas agora estava ali para resolver uma situação bastante embaraçosa pra ela, todos os sócios sabiam o porquê da atitude de Nestor, ela não sabia nem como disfarçar seu nervosismo diante daquelas pessoas, jamais imaginou que algum dia teria que passar por uma situação igual.
Dalva precisaria fazer alguma coisa, teria que dar alguma explicação, como se explicação resolvesse o problema.
Encheu-se de coragem e começou a falar;
_ Bem gente, eu não estou aqui para defender, nem justificar as atitudes de meu marido, estou aqui para defender os interesses da empresa que está acima, das maluquices de um de seus integrantes.
Como todos vocês sabem, eu sou professora, sendo assim em época de férias, que ainda vão durar mais vinte dias, neste período tentarei assumir as atividades de meu marido, se dentro deste praso, ele não retornar, e eu não conseguir suprir a falta dele, exigirei que ele se afaste da sociedade, e vocês deverão comprar a parte que lhe cabe.
Farei uma procuração para que ele assine, então tomarei conta da parte que lhe cabe, se estiverem de açordo começarei a tomar as providências agora mesmo.
Dalva toda vez que acompanhava Nestor até seu escritório, observava que ele recebia alguns telefonemas, fazia algumas anotações e pedia a secretária que fizesse os relatórios, parecia tudo muito fácil, pensou que não teria nem um problema, a secretária continuava sendo a mesma devia saber de tudo.
Também assinava alguns papeis, sempre pareciam estar tudo certo, pois ele nem os lia e já assinava e mandava despachar.
Também abria alguns E-mails, e ao que parecia não ter grande importância, a maior parte deletava, alguns poucos respondia algumas poucas palavras.
Algumas correspondências que recebia, Dalva não entendeu muito bem, só viu que umas ele colocava um (X) outras colava um (SIM) e mandava a secretária despachar.
Quando os sócios lhe perguntaram se ela saberia o que fazer com os negócios de Nestor, ela parecendo estar a par de tudo, respondeu com convicção; _Com certeza senhores, conheço todos os negócios de meu marido. Afinal sou esposa dele; Não Sou?
Todos acenaram positivamente.
Então estava tudo certo, naquele dia mesmo tomaria todas as providências cabíveis.
Au chegar em casa, Nestor acabara de levantar da cama, já passava do meio dia. Ainda estava com a roupa do dia anterior, Dalva não deu importância para este detalhe, o que ela queria agora é que ele assinasse a procuração pra ela poder assumir seus compromissos no escritório.
_Nestor, eu preciso falar com você!
_Já vem com sermão de novo, não to a fim de escutar sermão! Quero um café, depois vou dar uma saída, preciso resolver uns negócios.
_Não primeiro você vai me escutar. _Quero que você assine uma procuração.
_Procuração! Pra que procuração?
_Vou assumir seus negócios no seu escritório, seus sócios já aceitaram a minha proposta.
Proposta! _Que proposta?
_Já que você não está cumprindo suas obrigações alguém tem de fazer, e eu estou disposta a assumir.
_Ora não me faça rir, você não entende nada dos meus negócios. Vai fazer um monte de trapalhada, e vai acabar levando um pé no traseiro, isto sim.
_Por que. Você acha que eu não tenho competência?
_Competência você tem, o que você não tem é conhecimento, você não é advogada, não sabe nada de leis, muito menos de advocacia empresarial.
O pessoal só aceitou por educação, e consideração.
_Talvez até pensem que você conheça mesmo alguma coisa do assunto, mas no primeiro obstáculo, já estará toda enrolada.
_Mas sua secretária sabe o que fazer.
_Minha secretária só faz aquilo que eu mando nada mais, ela não tem poder de decidir nada, sem a minha assinatura, nada anda.
_Então porque você não toma uma atitude?
_Por que eu tenho que tomar alguma atitude, eu sou o presidente daquele negocio, quem decide o que fazer lá sou eu, sem o meu consentimento ninguém move uma palha, e eu não vou assinar porcaria de procuração nenhuma, e ponto final.
Dalva no primeiro momento ficou um pouco assustada, nunca tinha visto Nestor agir assim antes, aliás, nada que ele estava fazendo ele tinha feito antes.
Sempre foi cumpridor de seus deveres, de um momento para outro, ficou irreconhecível.
Dalva precisava tomar uma decisão, assim não poderia ficar então falou.
_Os seus sócios falaram, que se você não voltar a ser o que era antes, vão desfazer a sociedade.
_Então eu propus que ocuparia seu lugar até você se recuperar.
_Mas me recuperar do que? _Eu não estou doente!
_Você pode não estar doente fisicamente, mas psicologicamente você está. Eu até acredito que aquela moça possa olhar pra você, mas se você voltar a ser o que era antes, mas assim com certeza não tem a mínima chance.
Estas palavras deram um brilho no olhar de Nestor, ele nada falou, mas Dalva percebeu a mudança, não sabia se o que ela falou era verdade, mas que provocaria uma reação positiva em Nestor, a isto ela já sabia, já era um começo.
Nestor estava tão envolvido emocionalmente que nem lembrou que Dalva era sua esposa, e que ela poderia estar aborrecida com ele, afinal ele estava apaixonado por outra mulher, mas ainda estava casado com Dalva.Dalva não sabia o que dizer diante da situação, precisava pensar quem sabe conversar com alguém, talvez com seu cunhado Nelson, talvez ele tivesse uma resposta adequada. Sim era isto que Dalva faria.
Dalva ligou para Nelson e pediu que ele viesse até sua casa para tentar achar uma solução para o caso.
Mesmo vendo a reação que teve Nestor, Dalva não imaginou que ele fizesse o que ele fez.
Preocupada com os compromissos que tinha assumido, não notou que após a conversa que teve com Nestor, ele foi direto para o banheiro, tomou um banho cortou a barba vestiu-se como costumava fazer antes, até melhor, colocou um de seus melhores perfumes e saiu, mas Dalva não viu, sua cozinheira que comentou:
_ O patrão parece que foi para alguma festa importante!
_Por que você está falando isto?Perguntou Dalva.
_Ele saiu com uma elegância que fazia tempo que eu não via! Falou a cozinheira.
_Para onde será que ele foi, ele não me disse nada!
Nestor foi para seu escritório, todos ficaram surpresos au ve-lo, estava com uma expressão de felicidade que a tempo ninguém via em seu rosto.
Alguma coisa muito boa deveria ter acontecido.
O que seria? Será que Adriana dera alguma esperança a ele, ou teria dito sim pra ele, ou ainda será que ele tinha despertado daquele pesadelo, ninguém sabia, mas algo de bom tinha acontecido.
Nestor começou a fazer seu trabalho de uma maneira que todos ficaram admirados, ele sempre foi gentil e educado, mas agora estava irreconhecível, tratando todos com uma atenção acima do normal, sempre com uma expressão de alegria que chegava a contagiar, ninguém teve coragem de perguntar estavam com medo de quebrar aquele encanto.
Sim, Nestor parecia estar encantado, tamanho era seu ar de felicidade, ninguém jamais o tinha visto assim.
No final do dia voltou para casa, Dalva ainda não tinha chegado, estava correndo atráz da documentação que ela ainda não sabia que não mais seria necessário.
Quando chegou, Nestor já tinha tomado banho e estava pronto par sair novamente, estava impecável, Dalva ficou surpresa, o que teria dado nele, o que teria acontecido.
_Tenho um jantar de negócios, você quer vir comigo?
Dalva mais surpresa ficou ainda, não esperava este convite, aceitou sem fazer comentário, esperaria que ele discesse alguma coisa,
Nestor conversou sobre vários assuntos, sobre negócios, projetos, sobre várias outras coisas, mas em nenhum momento falou sobre Adriana, como aqueles dias estivessem apagados de sua mente, e não seria Dalva quem iria reavivalos, por ela os apagaria definitivamente.

Os dias seguintes transcorreram sem novidades, Nestor trabalhando, com um interesse acima do normal.
Bem; Isto era uma novidade!
Acabaram as férias de Dalva e ela voltou a trabalhar normalmente, ate ai tudo certo.
Mas Nestor não mais cumpria a sua rotina anterior, suas saídas à noite, seus passeios mais prolongados, Dalva nada perguntava.
Queria ver ate aonde iria, Nestor estava muito calmo, muito conformado, para quem esteve à beira da loucura seu procedimento era bastante suspeito.
Dalva precisava saber o que Nestor fazia em suas saídas.
Em um final de semana, Dalva foi ate a casa de dona Julia, queria saber noticias de Adriana, saber como ela estava se comportando.
Dona Julia falou que Adriana estava tendo um comportamento igual às outras moças da idade dela, diferente do que tinha antes, mas normal para sua idade.
O comportamento anterior que não era normal e trazia preocupações, agora ela agia como toda a jovem da idade dela agia.
No colégio Dalva quase não via Adriana, ela não mais pertencia a sua turma, e as poucas vezes que a via era de longe e não tinha coragem de aborda-lá para perguntar qualquer coisa, depois de tudo que aconteceu...
_ A senhora não acha estranho que Adriana não comente nada, e que mude o comportamento assim de uma hora para outra sem nem uma vez sequer abordar o assunto, ela não pode ter esquecido tudo assim tão fácil, alguma coisa não está certo, ninguém esquece um episódio como o que aconteceu com ela assim de um dia para outro.
Dona Julia concordou, mas ela achava que era muito cedo ainda, para conversar sobre aquele assunto, seria melhor esperar um pouco mais.
Mas Dalva não concordava, sentia a cada dia seu marido mais distante, ele não a maltratava, mas não dava aquela atenção de antes, falava muito de coisas que nada tinham a ver com ela, negócios , política que antes ele detestava, falava de globalização, da oscilação da bolsa, coisa que nunca fizera antes.
Não falou disto para dona Julia, mas averiguaria o que de fato estava acontecendo.
Não sabia por onde começar, mas teria que fazer, e tinha que ser ela mesma, não poderia confiar esta tarefa a mais ninguém.
Dalva teria que fazer papel de detetive, e não podia ir de cara limpa, precisaria de um disfarce, mas era necessário, e assim ela fez.
Adriana tinha aulas no turno da tarde, por este motivo não precisava levantar cedo, mas como queria estar sempre em forma, pulava da cama bem cedo para correr no parque que ficava perto de sua casa, depois nadava um pouco, pegava um pouco de sol até chegar o meio dia, tomava banho almoçava e ia pro colégio.
Nas terças e quintas feiras saia pra se divertir com as amigas (os), mas nunca voltava muito tarde, para não preocupar seus pais, ela sempre fez isto.
Dalva sabia os lugares que Adriana freqüentava, pra Dalva não seria muito difícil espioná-la, difícil seria saber onde Nestor estava ele não dava nem uma chance, não fazia comentários sobre os lugares aonde ia.
E Dalva não queria perguntar, não queria que ele desconfiasse de sua desconfiança, poderia estragar tudo, e ela não mais conseguiria saber as razões da mudança de Nestor.
Será que Adriana fazia parte desta mudança?

Nestor não demonstrava, mas estava sempre atento aos movimentos de Dalva, sempre que ela saía, ele ficava em alguma esquina por perto, pra ver se ela não o seguiria. Quando ela saiu disfarçada ele percebeu que ela pretendia segui-lo, a deixou sair e voltou para casa, e fez questão de avisar a empregada que ele estava em casa e não pretendia sair, e falou;
_Estou muito cansado e não gostaria de ser incomodado, procure fazer menos barulho possível que eu quero dormir cedo. _ A propósito a senhora não sabe onde sua patroa foi? Antes que a empregada respondesse; Não, não, deixa pra lá, não tem importância!
Dalva foi até o local onde estava Adriana, ficou um longo tempo a observado, notou que ela estava sentindo a falta de alguém, por que do jeito que ela olhva em todas as direções, não deixava nenhuma duvida, estava sentindo falta de alguém.
Já passava da meia noite Adriana olhva ansiosa para o relógio do celular, Dalva notou quando ela falou alguma coisa para uma de suas colegas, conferiu novamente à hora e deu de ombros e despediu-se das colegas e foi para casa.
Dalva chegou em casa levou um enorme susto quando viu Nestor dormindo, procurou não fazer barulho para não acordá-lo, mas ele estava a sua espera, e disfarçando ter acordado aquela hora perguntou;
_Que horas são agora? Você estava na casa de suas amigas eu nem vi você sair!
Dalva tomou um enorme susto, mas conseguiu controlar-se.
Eu pensei que você fosse voltar tarde, e fui até a casa de Márcia, pra gente conversar um pouco, sobre umas novas regras que foram criadas no método de ensino.
Nestor sentiu uma enorme vontade rir, mas se conteve, poria tudo a perder, tinha de fazer de conta que não sabia de nada, seria um jogo de gato e rato.
Dalva achou muito estranho. Nestor ir para cama tão cedo! Ai tem coisa! Será que ele a viu sair? Esta era sua dúvida! Teria que consumir com disfarce, se a viu provavelmente iria procurar. Então ela ficaria em uma posição muito incomoda, como que explicaria.
Dalva estava em uma situação de desvantagem, não queria falar para não provocar uma discussão, mas sentia seu marido cada vez mais distante, se tomasse uma atitude seria o fim de seu casamento, e era o que Dalva não queria, acreditava que poderia recuperar seu marido, era só uma questão de tempo.
Procuraria outros caminhos, algumas esposas dos sócios de seu marido, eram suas amigas tentaria conversar com elas, quem sabe alguma delas soubesse de alguma coisa, os homens costumam comentar sobre suas conquistas, Nestor poderia ter comentado com algum deles sobre o assunto, não poderia descartar nenhuma hipótese, todas as pistas teriam de ser averiguadas.
Pensou então na maneira de se reunir com as amigas, precisava de um motivo, foi então que lembrou de suas colegas, combinaria com elas um chá beneficente, mas precisava ser iniciativa de alguma de suas colegas, pra que Nestor não desconfiasse.
Chegado o dia do chá, Dalva estava muito nervosa, não tinha idéia de como abordaria o assunto, apesar de que todas sabiam do caso, porque e por quem.
Dalva também sabia as que poderia confiar, e teria que ser uma conversa meio em separado, e que não chamasse muito a atenção das outras.
Três eram as mais intimas, falou com todas e nenhuma sabia de nada, insistiu pensando que elas não quisessem comentar em respeito a ela, mas não era por isto, é que elas não sabiam de verdade.
Mais uma tentativa em vão, Dalva não sabia mais a quem recorrer.
Pensou então em dona Julia, talvez ela quisesse colaborar.
Mas ai surgiu um outro problema. Como que dona Julia colaboraria?
Dalva então foi conversar com dona Julia, talvez ela tivesse uma idéia boa, a cabeça de Dalva já não estava funcionando direito, o tempo estava correndo e ela não conseguia sair daquela situação que a estava incomodando, precisavam de uma solução imediata.
Dona Julia era uma mulher prática e objetiva, e não fazia rodeios para dizer as coisas.
Quando Dalva lhe pediu ajuda, ela respondeu;
_Que tipo de ajuda eu posso lhe dar, e também por que lhe daria, eu de momento não estou com problema, Adriana não me parece preocupada com nada.
_Perguntei a ela se ela tinha visto seu marido nos últimos dias, e ela me falou tranqüilamente que não.
_Também não vejo como posso ajudá-la!
_Pelo que sei seu marido voltou a trabalhar em seu escritório, e parece estar muito feliz, não sei por que a senhora está tão preocupada.
_ Por acaso ele tem falado em Adriana?
_Não, não tem, mas suas atitudes são muito estranhas!
_Estranhas em que sentido? Perguntou dona Julia.
_É que ele me parece mais distantes, poucas vezes me convida pra sair, e nas terças e quintas feiras à noite ele sai, e nunca comenta onde foi, e eu fico com medo de perguntar, não sei mais o que fazer.
_E o que seu marido faz nos fins de semana à noite; Quis saber dona Julia.
Aos sábados ele me convida pra jantar fora, e aos domingos ficamos em casa, pedimos uma pizza e um vinho, depois ficamos conversando.
_E a senhora está reclamando do que?
_Por acaso ele não está cumprindo com as obrigações de marido?
_Sim... Sim está, mas não com a mesma intensidade de antes.
_De antes quando? _A senhora já percebeu que seu marido já passou dos sessenta anos? _Claro que ele não pode ter o mesmo pique sempre, eu acho que a senhora está vendo fantasmas a onde não existe.
Dalva baixou a cabeça e não respondeu nada, não cabia em si de tanta vergonha que ficou, levantou da cadeira em que estava, e foi embora para sua casa, sem se despedir de dona Julia.
Dona Julia por sua vez pensou; Acho que peguei pesado com ela, mas talvez seja bom, quem sabe ela pare de pensar bobagem.
Pra muita gente o caso estaria encerrado, mas para dona Julia e Dalva ainda tinha peças fora do lugar.
Dona Julia não quis dizer nada para Dalva, preferia esperar a poeira baixar, e consequentemente, Adriana e Nestor também.
Mesmo que aparente Dalva tenha aceitado os argumentos de dona Julia, ela ainda estava com muitas dúvidas, e usaria o mesmo termo que dona Julia, esperaria que Nestor baixasse a guarda e acreditasse que a tinha convencido.
Ambas mesmo não combinando dariam tempo ao tempo, quando estivesse tudo calmo, tomariam as providências que achassem necessárias.
Dalva baixou a cabeça e não respondeu nada, não cabia em si de tanta vergonha que ficou, levantou da cadeira em que estava, e foi embora para sua casa, sem se despedir de dona Julia.
Dona Julia por sua vez pensou; Acho que peguei pesado com ela, mas talvez seja bom, quem sabe ela pare de pensar bobagem.
Pra muita gente o caso estaria encerrado, mas para dona Julia e Dalva ainda tinha peças fora do lugar.
Dona Julia não quis dizer nada para Dalva, preferia esperar a poeira baixar, e consequentemente, Adriana e Nestor também.
Mesmo que aparente Dalva tenha aceitado os argumentos de dona Julia, ela ainda estava com muitas dúvidas, e usaria o mesmo termo que dona Julia, esperaria que Nestor baixasse a guarda e acreditasse que a tinha convencido.
Ambas mesmo não combinando dariam tempo ao tempo, quando estivesse tudo calmo, tomariam as providências que achassem necessárias.
Passados seis meses, tudo continuava igual, todos cumpriam a mesma rotina de sempre, novidades nenhuma.
Dalva pensou; Já está mais do que na hora de tirar esta duvida de minha cabeça, preciso descobrir a verdade seja ela qual for, pelo menos sairei desta aflição.
Nestor continuava sem tocar no assunto, também continuava a sair nas terças e quintas feiras, também não dizia aonde ia.
Dalva precisava de um plano, um plano infalível, mas como faria sem que Nestor desconfiasse.
Por vários dias Dalva pensou em um jeito de saber aonde Nestor ia todas as terças e quintas feiras.
Em uma tarde, Dalva estava pensativa quando sua cozinheira ia saindo, pensou; _Vou pedir a opinião dela, quem sabe ela não tem uma ótima sugestão.
_Joana, posso falar com você um instante?
_Claro patroa, desde quando a senhora precisa pedir permissão pra falar comigo, eu hém!
_ Ta bem Joana, mas este não é um assunto de trabalho.
_Não! _Mas do que é então?
_Quero uma opinião sua!
_Opinião! Mas que tipo de opinião?
_Senta aí e vamos conversar.
_Aqui... Na sala?
_Sim Joana, aqui na sala, qual é o problema?
_É que a senhora sabe, eu não tenho o costume!
_Deixa o costume pra lá e senta logo, se não você vai acabar se atrasando.
_Ta bão então!
Dalva falou tudo o que Joana já sabia, depois de alguns minutos de conversa, perguntou: _O que você faria no meu lugar?
_Posso fala? _A senhora não se emporta?
_Pode Joana, pode falar. Eu perguntei por que quero resposta!
_Eu daria era um belo chute no traseiro dele!
_Não Joana, você não entendeu, e ainda não tenho certeza de nada, não sei se eles estão se encontrando, queria sua opinião pra saber como faço para descobrir sem que ele perceba.
_Mais por que ele não, pode percebe?
_ Eu já é perguntava era direto pra ele, comigo não tem estas frescuras não!
_É, mas no nosso caso é diferente.
_Mais diferente como? Voceis não falo a mesma língua? O que tem de deferente?
_É que eu não quero perder meu marido, tenho medo de tocar no assunto e ele se sentir ofendido.
_Mais por que ele se sentiria ofendido, voceis não falavo deste assunto antes?
_Sim, a gente falava, mas era em outra situação?
_Situação em que ele tava gamado na moça, e agora a senhora nem sabe, o qui ta acontecendo!
_Eu até acho que ta bem melhor agora, a senhora pode chega assim como quem não qué nada, e perguta se ele tem visto a moça. Dependendo da cara que ele fize, a senhora já vai sabe, depende da resposta também.
_É, mas ele é muito esperto, não vai cair fácil não!
_Mas a senhora tem uma vantagem!
_Eu vantagem! _Que vantagem?
_É que ele não ta esperando essa pergunta, afinal já faz algum tempo né!
_É eu acho que você tem razão vou fazer isto, ou melhor, vou fazer diferente.
_Não entendi! Como diferente? Desculpe eu pergunta!
_Não, não tem importância. Depois eu lhe conto.
_Ta bão então. Eu posso ir agora?
_Sim, você pode!
Na quinta feira Dalva esperou Nestor chegar em casa, dia que ele costumava sair, e nunca disse aonde ia, mas também Dalva também nunca perguntou.
Nestor chegou em casa como em outro dia qualquer, deu um beijo em Dalva como sempre fazia, e foi tomar seu banho, enquanto Joana servia o jantar ele olhva o jornal, terminada a janta ele saía, mas nunca falou aonde ia.
Na hora em que ele estava saindo Dalva já estava pronta pra sair também, então ele perguntou;
_Você vai sair também?
_Sim, vou com você!
_Comigo! Exclamou Nestor.
_Sim, com você, algum problema?
_Não, nenhum, será um prazer!
Surpresa ficou Dalva, esperava que ele colocasse um monte de desculpas para ela não ir junto, e nada disto aconteceu.
Meio gaguejando ela tentou explicar;
Bem... É que me deu vontade de dar uma saída e achei que você não se emportasse!
_Não, eu não me importo, eu só não sei se você vai gostar.
_ Por que você pensa que eu não vou gostar?
_É que aonde eu vou não tem nada de interessante, que dizer você pode até gostar, afinal eu não sei todos os seus gostos!
_E eu posso saber em que lugar você vai?
_Sim, claro que pode, eu vou ao meu analista.
_Mas você nunca falou que fazia analise!
_È verdade, a princípio eu não quis falar, por que achei que você fosse rir de mim, e você também nunca perguntou!
Dalva não sabia o que dizer, se sentiu uma verdadeira idiota, nem consegui olhar direito para Nestor de tanta vergonha que ficou. Ela colocando um monte de idéias malucas na cabeça, enquanto seu marido estava tentando tirar idéias malucas da cabeça.
Nestor estendeu a mão e falou: _ Vamos então?
Dalva ficou parada como uma estátua, não sabia o que dizer. O que ela iria fazer junto com seu marido, com que cara ela entraria no consultório do analista, com certeza se sentiria ridícula. Não, ela não poderia ir junto.
_Mas o que está havendo?
_Desistiu, não quer ir mais, por favor, resolva logo, senão eu vou perder meu horário.
_Por favor, me perdoe, mas eu não posso ir com você, seu médico vai dizer que quem precisa fazer análise sou eu.
_Pode ir, eu mais tarde darei umas voltas por aí.
Nestor com um sorriso falou, mas já sabendo da resposta; _ Quem sabe você vai comigo e eu a deixo no choping, na volta eu lhe pego ok.
_Não, melhor não.
_Você é quem sabe!
Nestor saiu, e já na rua olhou pra traz, e respirou fundo, pensou;
_Esta foi por pouco, ela nem desconfiou, por um bom tempo esta desculpa serviria, mas as sessões de analise um dia teriam que terminar, então ele teria que arrumar outra desculpa.
O que estaria aprontando nosso amigo Nestor?

Existem com certeza situações semelhantes a esta, na verdade Nestor não estava fazendo analise coisa nenhuma, mas quem fosse aos locais onde Adriana estava tentando achá-lo, não teria sucesso, seu disfarce era muito bem feito. Talvez não tão bem feito assim.
Uma pessoa sabia quem ele era, mesmo atrás do disfarce.
Adriana era bastante inteligente, e não precisou de muitos dias para descobrir, tinha informações que Nestor havia voltado ao trabalho e que não mais agindo como um vagabundo qualquer, e que todas as terças e quintas feiras saía à noite.
Não foi difícil identificá-lo, no mesmo lugar que ele costumava a sentar antes, ele sentava agora, com uma diferença.
Agora ele usava uma peruca, barba e bigode postiço, e claro, estava bem vestido!
Em todo este tempo, Nestor nunca se aproximou, ou falou com Adriana, suas colegas viam o homem misterioso, mas ela nunca disse a ninguém que sabia quem era ele, e se divertia muito com isto.
Vários rapazes tentaram namorar com Adriana, mas ela dizia não para todos, falava que era muito cedo, que ela era ainda muito jovem e não tinha a intenção de se prender a ninguém.
Nestor sempre a via só, e a esperança continuava viva, mas coragem pra mostrar a cara ele não tinha, Adriana olhava pra ele várias vezes durante o tempo em que ficava na boate, mas nunca chegava perto, e quando por qualquer motivo estava mais próximo, desviava o olhar, como se ele não estivesse ali.
Esta atitude de Adriana diminuía ainda mais sua coragem, seu coração acelerava, suas pernas tremiam, sua boca ficava seca, e seu desejo se multiplicava.
Adriana parece que sentia isto e se divertia, ela não sabia por que, mas aquela atração que ela tinha antes por ele, mudou para um sentimento que nem ela sabia explicar.
Sabia do interesse que Nestor tinha por ela, mas ela não sentia vontade de chegar perto dele, sentia medo de que ele em algum momento tentasse se aproximar, mas se divertia com esta sensação.
É como alguém brincando com uma fera, gosta de vê-la por perto, mas não permite que a fera o alcance, por que tem medo que possa lhe causar algum mal.
Quando suas colegas perguntavam por que ela não se aproximava dele ela dizia; _Vocês estão loucas, Deus me livre, aquilo é só um divertimento para mim.
_Mas até quando você vai levar esta brincadeira?
Perguntaram suas amigas.
_Sei lá. Ate ele cansar, ou desistir!
_Mas você não esta interessada nele?
_Por que estaria, ele tem idade pra ser meu avô, e eu não quero servir de bengala pra ninguém, e de mais a mais, ele é casado, e a esposa dele é apaixonada por ele, e apesar de ser uma chata ela foi minha professora e eu gosto dela.
_ Mas você fica dando esperança pra ele!
_Eu esperança, não sei por que, eu nunca disse uma palavra pra ele, ou sequer fiz algum gesto, que pudesse demonstrar algum interesse, se ele fica aí por que é um maluco, e eu estou me divertindo.
Alias, ele deve estar gostando de fazer este papel de idiota!
A vida continuava aparentemente sem novidades, porem dona Julia, cujo sexto sentido era bastante aguçado, resolveu em segredo colocar seu plano em ação, sabia que Adriana não tinha como desconfiar.
Seu Luiz vendo os movimentos da esposa desconfiou; _ O que você pretende fazer?
_Por favor, não me pergunte que não posso responder, depois eu lhe conto. Está bem?
_Claro, faça como você achar melhor, tenho certeza que não fará nada que prejudique nossa filha.
Dona Julia, primeiro pediu para que uma pessoa de sua confiança seguisse Adriana, para saber os lugares que ela freqüentava, apenas isto, depois ela mesma foi atrás sabendo de todos os seus passos.
Claro que não poderia ir de cara limpa, seria descoberta e tudo estria perdido, vestiu-se com roupas de homem, o que para ela não era nada difícil, era magra e alta e com seios bem pequenos, seria fácil de disfarçar.
Colocou um bigode e um cavanhaque, colocou um boné e os cabelos amarrados, igual ao que muitos homens usam, ficou perfeito.
Precisou de uma semana para perceber, sempre que aquele homem, que ela não sabia quem era chegava Adriana mudava o seu comportamento, precisava descobrir quem era o tal homem.
Não foi muito difícil, quando o tal homem saiu, ela o seguiu. Como ele estava confiante de que sua mulher acreditava nele, ficou um pouco mais relaxado, foi direto para casa sem tomar nem um cuidado.
Dona Julia exclamou com seus botões; _Ham então é assim, vamos acabar com esta farsa amanha mesmo!
O que teria em mente dona Julia?

A primeira coisa que dona Julia fez, foi certificar-se de que Dalva de nada sabia, para depois conversar com ela e tomar as providências necessárias, do jeito que estava não podia ficar.
Na tarde do dia seguinte telefonou para a professora Dalva, comunicando que iria lhe fazer uma visita e que tinha grandes revelações a lhe fazer.
Dalva ficou bastante curiosa, que revelações seriam estas? Seria sobre Adriana?
Os minutos seguintes em que estava esperando dona Julia, foram bastante longos.
Quando dona Julia falou o que tinha visto, Dalva quase caiu de costas, tamanho foi seu espanto.
Nestor foi um verdadeiro artista, a enganou tão bem, que ela não desconfiou um pouquinho sequer, lamentou por ter se deixado enganar, haa, mas isto não ficaria assim, ele teria que explicar direitinho, a se teria.
Dona Julia estava mais com os pés no chão, e falou pra Dalva não se precipitar, Nestor era muito esperto, e a conhecia muito bem, se ela não tivesse provas ele a convenceria outra vez.
_E o que a senhora sugere?
_Esperamos ate terça feira, então você vai a minha casa e nos combinaremos como vamos surpreendê-los, mas procure se manter calma, para que ele não desconfie de nada. Está bem

Professora Dalva e dona Julia combinaram o plano para que houvesse dúvidas.
Mas elas não contavam com um imprevisto, e que surpresa, justo agora que tudo seria esclarecido.
Nestor teria que viajar para Europa para dar assistência judiciária a um empresário seu cliente.
Era mês de agosto, teria férias de quinze dias no colégio, Adriana queria aproveitar que Clara sua amiga viajaria para Espanha, e a convidou para lhe fazer companhia, era uma oportunidade que Adriana não podia perder.
Os planos de dona Julia e a professora Dalva, teriam que esperar mais um pouco, mas uma coisa as deixava muito preocupadas, ao que parece, Nestor e Adriana viajariam no mesmo dia e no mesmo avião.
Será que não haviam combinado algo?
Dalva e dona Julia teriam tempo para planejarem, melhor, a solução do problema, mas estavam com uma dúvida enorme. Será que eles estavam se encontrando em algum lugar, ou seria apenas aquilo que dona Julia viu, só quando voltassem é que elas saberiam.






Dalva e Julia não sabiam, mas Nestor e Adriana não tinham combinado nada, aliás, eles nem se falaram, mas coincidentemente viajaram no mesmo avião, e também desembarcariam na mesma cidade, em Lisboa, Portugal.




De Lisboa seguiriam para a cidade do Porto.
Nestor seguiu direto da cidade do Porto para Santiago de Compostela, na Espanha, onde acompanharia o empresário para quem estava trabalhando.
Os pais de Clara não queriam saber de nenhum negocio, estavam de férias e só queriam aproveitar o Maximo os quinze dias que passariam naquelas cidades. Da cidade do Porto alugaram um carro e foram direto para Braga, chegaram já era noite, mas ainda dava para fazer muita coisa, não queriam perder tempo, e visitar o maior numero de lugares possíveis.

Trajeto entre Lisboa e Braga.
Praça episcopal Em Braga, Portugal.


Jesus do monte
Em Braga.
Puderam visitar vários lugares e apreciar as belezas de arquiteturas do lugar.










Depois de passar dois dias em Braga, seguiram para Viana do Castelo, que fica mais ao norte,
Em Viana do Castelo ficaram quatro dias, e se deliciaram com tantas belezas, que encontraram, começando pelo centro histórico de Viana do Castelo.


Viana do castelo em Portugal
Centro Histórico de Viana do Castelo (***)praça da República.



Casa de Santiago

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Santuário de compostela.




igreja de são cosme e damião






Foi uma viagem de curta duração, mas, que ficará gravada para sempre em sua memória, com todas as informações que colheu, as fotos que tirou. Sem dúvida nas próximas férias ela pediria para seu pai leva-lá ate aqueles lugares outra vez.




Pousada do Gerê em Santa Maria do bouro.



Garb Al – Andaluz.

Mas era chegada à hora de voltar para casa, a vida precisava continuar.
Adriana chegou em casa maravilhada com tudo que viu, não parava de contar, das coisas bonitas e diferentes do velho mundo.
O motivo mais forte que Adriana para querer voltar, era a lista de nomes que não puderam visitar por falta de tempo, tais como; Centro Histórico de Viana do Castelo, praça da República.
Monte santa Luzia. Panorama, Citánia de Santa Luzia e arredores.
Passeio em redor da colina de Montedor.
Praia de Ínsua-Afife-Arda.
Praias do Cabedelo-Amorosa, e outros locais com interesse e arredores.
Praia do norte.
Capela da Senhora do Bonfim (Carreço),
Quinta da Boa Viagem, Panorama do Monte Castelo do Neiva, em Viana.
Casa dos Lunas, Casa de Vasconcelos, Navio Gil Eanes, Ponte metálica sobre o rio Lima/ Eiffel.
Igreja de Santa Cruz (São Domingos), Foz do rio Neiva.
Igreja de São Cláudio (Outeiro), Hermitério rupestre de Sabairz/Mosteiro Rupestre de Sabariz (Vila Azenhas de Dom Prior, e Panorama da Senhora do Minho).
Perto do que Adriana tinha visto, ainda teria muito pra ver. Precisaria com certeza de um tempo bem maior pra ver todas aquelas belezas de arquitetura.
Bem, mas agora teria que voltar a vida normal, ou seja, o colégio a esperava, e precisaria dar um duro nos estudos, estava concluindo o ensino médio, teria que se preparar para o vestibular, no ano seguinte seria a faculdade, então tudo seria diferente pra ela.
Novos colegas. Faculdade, tudo diferente, também não teria mais as mordomias de colégio perto de casa.
Tanto Adriana como seus pais estavam surpresos de parte de ninguém surgiram perguntas sobre Nestor, que viajou no mesmo avião que Adriana, tanto na ida como na volta.
Para Adriana era um alivio que ninguém perguntasse, mas ao mesmo tempo. Ficava apreensiva, a qualquer momento poderia vir àquele temporal de perguntas que ela detestava.
Passaram-se algumas semanas, dona Julia e professora Dalva voltaram a se encontrar, nenhuma tinha novidades para contar, a não ser sobre a viagem.
Nem Nestor nem Adriana saíram, durante aquelas semanas, e não se mostravam preocupados com outra coisa que não fosse seus afazeres, Adriana enfiada nos estudos, e Nestor totalmente dedicada ao seu trabalho.
Dalva e dona Julia combinaram ir ate a casa de clara, mas em um horário em que ela estivesse na aula, para falar apenas com a mãe dela, dona Neusa, e assim fizeram.
Ligaram para dona Neusa e marcaram a visita, mas não falaram qual seria o motivo da visita, o que deixou dona Neusa meio preocupada.
Elas não costumavam freqüentar sua casa, o que teria de importante?
Dona Neusa as recebeu com toda a atenção, mas ao mesmo tempo curiosa, tanto que ela não resistiu a perguntar:
-Que bom que as senhoras vieram me visitar, mas confesso que estou curiosa, me perdoem, mas posso saber o motivo da visita?
Dona Julia nem Dalva estranhou a curiosidade de dona Neusa, afinal elas nunca tinham ido à casa de dona Neusa, muito menos as duas juntas.
-Bem, é que agente queria saber alguns detalhes sobre a viagem, Adriana quase não fala sobre o assunto, e a maioria das coisas que ela presta atenção não são coisas que a gente gostaria de saber.
-Aa é verdade, as meninas parecem que vivem em um mundo diferente do nosso, muitas coisas que são importantes para nós, elas perece nem enxergar, a propósito, seu marido também viajou no mesmo avião que a gente, até nos cumprimentou a mim e ao Carlos, ele foi ate Lisboa, depois ate a cidade do Porto, então não o vimos mais.
-Na volta quando embarcamos em Lisboa ele já estava no avião, mas parece que ele não nos viu, ou estava muito ocupado conversando com uns senhores, os mesmos que estavam com ele na viagem de ida.
-Sim... Disse Dalva. São os empresários para quem ele trabalha.
Dona Julia olhou para Dalva, que parece adivinhou seu pensamento, será que elas estavam enganadas ou eles disfarçaram muito bem.
Mas havia ainda algumas fontes a serem investigadas, as amigas que freqüentavam as baladas com ela, mas isto não seria coisa para Dalva e dona Julia fazer, precisariam de uma outra pessoa. Como que estivessem com o pensamento ligado o mesmo nome veio a mente das duas, Cláudio o irmão de Clara, e filho de dona Neusa, teriam que falar com ele, que por acaso acabava de entrar em casa.
-Estamos com sorte pensaram!
-Dona Neusa podemos Falar com seu filho?
-Com meu filho? Assustou-se dona Neusa.
-Sim, claro. Mas ele não estava na viagem!
-Não sei em que poderá ajudá-las?
-É um outro assunto.
-Outro assunto, mas que tipo de assunto podem ter com meu filho? -Estou começando a ficar preocupada, primeiro dizem que estão interessadas sobre a viagem, eu nem cheguei a falar da viagem, já querem falar com meu filho, afinal, o que está acontecendo. -Por favor, me expliquem.
Não havia outro jeito, teriam que abrir o jogo, se não o fizessem ela comentaria com Clara e estaria tudo perdido.
-Falaremos a verdade pra senhora, mas, por favor, não comente nada com ninguém, nem com seu marido, nós não temos certeza de nada, não queremos precipitar as coisas, esperamos que a senhora entenda.
-Mas o que Cláudio poderá ajudar?
-Depende; Falou dona Julia. -Muito e nada, depende do que ele souber, ou do que ele tiver disposto a descobrir!

Quando perguntado sobre o que podia fazer Cláudio falou:
-Bem, não sei se poderei conseguir alguma coisa, não sou intimo de Adriana, a gente se conhece assim de vez em quando, oi tudo bem, mais nada, ela é bastante amiga de clara, mas ela é mesmo íntima, é Fátima e da Beta, não se desgrudam pra nada.
-E você teria como colher alguma informação delas?
-É,... Eu não sei, posso ate tentar, a não ser que...
-A não ser o que? Perguntou dona Julia.
-É que a Fátima parece estar afim de mim, mas eu nunca liguei pra ela, sabe ela é muito feinha e chata pra caramba!
-Você faria este sacrifício por nós? Perguntou Dalva.
-Será bem recompensado eu garanto! Disse dona Julia.
-Bem, eu posso tentar, mas não posso garantir, e isto vai demorar alguns dias. Eu acho!
-Não faz mal, nós já esperamos tanto tempo, uns dias a mais não vai fazer diferença. Combinado então? Falou dona Julia.
- Está bem, eu vou tentar, assim que tiver um resultado eu aviso.
A tarefa de Cláudio começou parecendo ser bem fácil, na primeira tentativa já ficou com Beta. Também ela estava caidinha por ele!
Mas ele precisaria investigar sobre Adriana, sem que Beta desconfiasse. Mas como que ele faria isto?
Teria que agir com cuidado, amiga do jeito que era, qualquer pergunta precipitada poria tudo a perder, e ele não queria também prolongar muito seu namoro com Beta. Pelo menos era o que ele pensava!
Cláudio conversava com Beta sobre vários assuntos, não sabia como abordar alguma coisa sobre Adrana, temia fazer uma pergunta de maneira errada e estragar tudo, Beta não parecia ser do tipo muito esperta, mas às vezes as aparências enganam.
Depois da quarta semana, Cláudio perguntou se Adriana era aplicada no colégio. Beta estava no mesmo colégio que Adriana. Estavam terminando o segundo grau e pretendiam fazer vestibular no final do ano.
-Por que perguntas, achei que sabia tudo sobre ela!
-E por que eu deveria saber?
-Sua irmã é intima dela, aliás, nunca desgruda.
- Clara deve saber bem mais do que eu, devia pergunta a ela, e não a mim.
-Também não sei por que este interesse agora?
-Por falar em interece ela tem ido bem seguido na sua casa!
Cláudio ficou quase tonto de tanta pergunta, achou que Beta teria uma crise de ciúmes, o que pra ele não seria nada bom.
-Bem, é que fico observando às vezes, e Adriana parece ser o centro das atenções, nem imagino qual seja o motivo, talvez por ela ser meio misteriosa, nunca fica com ninguém, se os outros caras pensam igual a mim ela vai ficar só por muito tempo ainda!
-Por que você fala isto, ela é uma das mais bonitas entre todas do bairro!
-Você acha? Perguntou Cláudio, vendo uma boa oportunidade de sacar alguma coisa de Beta.
-Se eu acho? Os caras ficam comentando pelos cantos, que ela é maior (gata ).
-É, mas não é o que eu escuto!
-E o que você escuta?
-Você quer saber mesmo?
-Claro ela é minha amiga afinal, fala ai.
- Tem alguns que dizem que ela é sapatona.
- Você ta loco! Por que alguém iria falar uma maldade destas?
-Veja só, ela esta sempre de enrolação com as outras meninas, não de trela pra nenhum dos caras daqui, aliás, nem olha, o que se pode pensar.
-Ela não deve gostar de homem!
-Ela gosta sim!
_É,... E quem é o felizardo? Posso saber?
-Claro que não?
-Então você sabe quem é? É agora pensou Cláudio, Beta mordeu a isca!
-Claro que não?
-Como claro que não, você acabou de dizer que ela gosta de alguém!
-É eu disse, mas eu não disse que sabia de quem ela gostava.
-Mas é alguém aqui do bairro?
-Não... Não é...
-De onde é então?
-Eu não sei! Vamos mudar de assunto?
Cláudio sentiu que seria bem mais difícil, aquela ali não soltaria a língua tão fácil, teria que usar outra estratégia.
-Por que você não quer falar sobre Adriana?
-Por quê? Adrana é minha amiga, aliás, Adriana é melhor amiga que alguém poderia querer, ela é leal, é honesta, sincera e generosa. Está sempre disposta a ajudar quem quer que seja. Aquilo que está no alcance dela, ela faz, na escola está sempre disposta a colaborar em tudo. Sua irmã nunca lhe falou?
-Não, minha irmã nunca comenta assuntos do colégio, eu também nunca me interssei por aquilo que as meninas fazem ou deixam de fazer.
-Então por que agora está fazendo perguntas sobre Adriana?
-Mas aqui não é colégio, e só perguntei por que os caras ficam comentando, e como você está sempre com ela, achei que soubesse de alguma coisa!
-Mas você acha que soubesse de alguma coisa eu ia contar pra você! Você ta doido, não contaria mesmo! Nem pra você e nem pra ninguém.
Cláudio tentou surpreender Beta com um pergunta surpresa, e quase que conseguiu.
-Você falou que ela gosta de um homem mais velho?
-É... Quem falou? Eu falei? Eu não falei nada você está louco! Beta ficou confusa, e Cláudio tentou tirar proveito da situação.
-Você falou sim! Disse que ela gostava de uma pessoa mais velha e que ninguém podia saber!
Beta começou a tremer, parece que Cláudio a atingiu em um ponto vulnerável, e ele percebeu o descontrole da moça, teria que aproveitar a oportunidade.
-Como você esquece rápido o que fala. Você acabou de dizer uma coisa, e agora nega não lhe entendi.
- Mas eu não podia ter feito isto, se Adriana souber ela não falará mais comigo!

-Bem, o que está feito, está feito, agora não da pra voltar atráz, mas não se preocupe eu não vou contar pra ninguém, também porque isso é coisa que só interessa a ela. Você não acha?

-Claro claro! Concordou Beta mais aliviada.

-Mas parece que ele não tem vindo muito aqui nos últimos dias? Cláudio não podia perder esta oportunidade, Beta estava meio perdida, e não tinha certeza do que tinha falado.

-É ele não tem vindo. Depois que voltou da viagem, ele não apareceu mais.

- Ele tinha ido viajar é?

-É tinha.

-Pra Europa?

-É pra Portugal e Espanha.

-Engraçado, meu pai, minha mãe, Clara e Adriana também viajaram pra estes lugares! Exclamou Cláudio, fazendo de conta que não sabia de nada.

-É eu sei. Disse Beta.

-Eles conversaram no caminho?

-Não! Parece que nem chegaram perto.

-Mas nem um olhar, nada?

-Como é que eu vou saber, eu não estava junto!

-Quem deve saber é Clara sua irmã, ela estava junto. Porque você não pergunta pra ela?

-Boa idéia! Vou perguntar!

-Mas você não vai dizer que eu falei alguma coisa?

-Isto não será preciso, ela não é burra nem nada, logo vai sacar que foi você quem me contou tudo!

-Meu Deus, e agora o que eu faço?

Cláudio agora estava com a faca e o queijo na mão.

-É simples, você me conta tudo, ai eu não vou precisar perguntar pra Clara. Certo?

-Isto não vale, você está fazendo chantagem comigo.

-Não, eu não, você começou contar por que quis, eu só fiquei curioso, mais nada.

Beta se convenceu que era uma linguaruda, o que tinha de falar, tinha a mania de ir dizendo as coisas boca a fora sem medir as conseqüências, mas desta vez ela estava inocente, foi Cláudio que a induziu a falar.

E como ela tinha uma língua solta e memória curta, acabou entregando tudo fácil.

-Já que estou enrolada mesmo vou lhe contar, mas, por favor, não fale nada pra ninguém.

-Pode ficar sossegada, não vou comentar nada.

-Bem é que na verdade ninguém me falou nada, diretamente, tudo é coisa que todo mundo fica comentando, Adriana, por exemplo, nunca comentou qualquer coisa neste sentido comigo.

-Que bela amiga você é hém! Só por que os outros ficam falando você já conta como verdade.

-Mas Adriana nuca comentou entre as amigas que estava apaixonada por um homem mais velho?

-É a gente perguntou muitas vezes, mas ela só dizia;... (-Tem gente que não tem o que fazer e fica imaginando coisas, eu nunca estive apaixonada por ninguém muito menos por um homem mais velho, eu não sei de onde tiram estas maluquices).

-E quem era o tal homem?

-Isto nunca ninguém ficou sabendo, ele veio muitas vezes aqui, mas nunca conversou com ninguém, ficava o tempo todo olhando para Adriana, mas jamais trocaram uma palavra. Ele era como a Cinderela meia noite ele sumia, parecia mágico de um momento para outro sumia ninguém via pra onde.

-E como você sabe que ele viajou junto para a Europa?

-Eu não disse que ele viajou junto. Eu disse que estavam no mesmo avião.

-E quem falou pra você que o tal homem estava no avião?

-É o que comentam por ai.

-Mas quem comenta?

-Todo mundo ora!

-Mas quem é este todo mundo?

-As gurias todas ficam comentando.

-Adriana comentou alguma coisa?

-Não! Quando perguntam pra ela, ela só diz que estão todos malucos, e que não tem o que fazer, pra ficar imaginando coisas a respeito dos outros.

-E ela não fica aborrecida com tudo isto?

-Não, ela acha engraçado e diz;

(-Quando eu morrer vou virar uma lenda).

A estas alturas Cláudio que pensava estar progredindo em suas investigações, viu que não tinha descoberto coisa nenhuma, a noite chegara ao fim, e ele tinha menos do que no inicio, ou seja, nada.

Na casa da professora Dalva, estava tudo aparentemente calmo, ninguém fazia comentários, e nem tocava no nome de Adriana.

Mas por traz da aparente calma, havia um clima muito tenso, uma verdadeira briga de gato e rato, talvez um jogo de suspense, apenas no psicológico, ninguém queria dar o primeiro passo, mas isto estava desgastando a relação de Nestor e Dalva cada vez mais.

Um dia a cozinheira perguntou pra Dalva:

-Patroa se a senhora não se importa eu, posso lhe faze uma pergunta?

-Claro pode perguntar sim, você pra mim é como uma irmã mais velha fique a vontade.

-Aquele causo que a senhora falou outro dia do seu marido, já ta resorvido?

-Pois é não está!

-E o que ta fartando?

-Sei lá eu acho que faltando é coragem de decidir.

-Como assim decidir? O que precisa decidir?

-Colocar as cartas na mesa, e acabar com este jogo, isto sim. E é o que eu vou fazer!

-Coloca carta na mesa, decidi jogo, não to entendendo nada. Do que a senhora ta falando?

-Estou falando do que ter feito há muito tempo, em vez de estar me martirizando, sem nenhum resultado.

-Mas primeiro vou falar com Cláudio.

Perdão patroa. Mas quem é este Cláudio que eu nuca ovi fala?

-Deixa pra lá, depois a gente fala sobre isto.

-Tenho que ir agora.

Joana não entendeu nada, mas que diferença fazia. Ela era só a cozinheira.

Dalva foi ao encontro de Cláudio, e ele lhe relatou tudo o que tinha acontecido.

-Pois é, de nada adiantou meu esforço, não fiquei sabendo de nada. Aliás, fiquei sim, apesar de ser espevitada, Beta não é tão chata assim, e é legal ficar com ela.

Dalva apesar de estar tensa, teve que rir.

-Pelo menos de alguma coisa serviu sua investigação, foi procurar uma coisa e achou outra, bom pra você.

-As aparências enganam! Exclamou Cláudio.

(As aparências enganam).

É realmente esta frase fez Dalva pensar um pouco mais, o que será que tinha de verdade em suas desconfianças, teria algum fundo de verdade ou era só fantasia de sua cabeça.

E dona Julia o que pensaria? Será que ela ainda tinha alguma dúvida, com certeza tinha.

Dalva foi até a casa de dona Julia e contou o que Cláudio conseguiu, ou seja, nada.

Dalva contou o que havia decidido fazer, faria um interrogatório com seu marido, sabia do risco que corria, mas assim não poderia ficar.

Dalva foi para casa para esperar Nestor chegar, estava decidida a por fim naquela situação, não importando qual seria o resultado.


.



Nestor chegou em casa, e fez o que sempre fazia. Foi ate o escritório deixou sua pasta e depois foi dar o beijo costumeiro em Dalva.
Nestor notou que havia alguma coisa diferente com Dalva.
-O que foi querida, alguma coisa errada?
-Tenho uma pergunta muito importante a lhe fazer!
-Tem é? Posso saber o que é?
-Já vai saber, esteja preparado, só quero a verdade!
-Por favor, faça logo que já estou curioso.
Nestor não se mostrava nem um pouco preocupado, mas Dalva estava extremamente nervosa.
-Bem é... É...
-Fala logo criatura, é sobre o que?
-É sobre Adriana!
-E o que ouve com Adriana?
-Você não entendeu? –Eu falei Adriana!
-Sim, eu ouvi! –O que tem Adriana?
-Não é só sobre Adrana!
-Não! –Sobre quem mais? –Por favor, fale logo, porque tanto rodeio!
Dalva ficava cada vez mais nervosa. Será que Nestor estava fingindo ou não compreendia o que ela estava falando.
-Você já se esqueceu que teve um caso com Adriana?
-Eu! Um caso com Adrana! Você deve estar ficando maluca, eu nunca tive um caso com Adrana, Aliás, eu nem sei por que você esta falando nisso agora.
-A não teve! E o que você teve então com Adriana?
-Eu pensei que isto era passado, o que aconteceu, foi apenas um engano, eu por pensar que ela poderia estar interessada em mim; Ridículo. -Ela apenas um delírio de menina, eu acho, nada mais.
-Mas tudo isto já foi superado e esquecido, é página virada. –Não sei por qual motivo você está falando isto agora!
-Mas você freqüentava o clube aonde ela sempre ia!
-Eu freqüentava clube?
-Sim, você!
-Deve haver algum engano!
-De onde você tirou esta idéia?
-Dona Julia viu você lá, e as meninas amigas de Adriana também.
-E quando foi isto?
-Desde quando você voltou a trabalhar e sair todas as terça e quintas feiras e dizia que estava fazendo análise.
-Mas eu estava fazendo análise! – Eu até a convidei para ir comigo!
-Convidou porque sabia que eu não iria!
-E porque não iria? Não vejo problema algum nisto, outras esposas e maridos acompanham seus parceiros muitas vezes, não vejo nada de errado. –Se você tem alguma duvida, pegue o telefone e ligue agora para a secretária do doutor Mariano que ela vai lhe confirmar minha presença, o cartão é este aqui.
Nestor entregou o cartão para Dalva, que ficou parada como uma estátua, tamanha foi sua surpresa e vergonha.
Nestor vendo o desconforto de Dalva tentou diminuir o sofrimento dela.
-Não fique preocupada, eu entendo a situação. Mas isto poderia ser evitado se você tivesse aceitado meu convite para ir junto à minha seção de análise.
-Você tem razão, eu peço desculpas.
-Está tudo bem, não precisa pedir desculpas.
Dalva não conseguia entender, o tinha acontecido, se não era Nestor, quem era então.
-Mas se não era você, quem era o homem que estava no clube então?
-Como que eu posso saber? Não tenho a mínima idéia!
-Preciso falar com dona Julia!
Dalva pegou o telefone e ligou para dona Julia, e contou da conversa que teve com Nestor.
-Mas a senhora tem certeza que ele falou a verdade?
-Sim eu tenho. Respondeu Dalva.
-Mas então quem era o homem disfarçado? E por qual motivo sentava no mesmo lugar em que Nestor sentava antes? Dona Julia ficou sem saber o que dizer. Como podia ter se enganado, e por que alguém estaria ali disfarçado? Quem seria a pessoa?
A coisa tomou um rumo totalmente diferente, e mais difícil de resolver, depois que voltaram da viagem, o homem não mais apareceu, também por coincidência ou não Nestor não foi fazer mais análise.
Dona Julia não via outro jeito, teria que conversar com Adriana, ela provavelmente negaria, mas era a única que poderia ter alguma explicação. Nem que fosse sob pressão ela teria que dizer alguma coisa.
No dia seguinte pela manha dona Julia acordou Adriana mais cedo par submetê-la ao interrogatório.
-Adriana você precisa me responder umas perguntas, é muito importante!
-Deve ser importante mesmo, pra senhora me acordar esta hora. Deixa eu me arrumar primeiro, depois a senhora pergunta. Está bem assim? Adrana falou em tom de brincadeira, dona Julia percebeu, mas não falou nada, esperou Adriana tomar seu banho depois começou as perguntas.
_Você tem visto a marido da professora Dalva ultimamente?
-Não. _Por quê?
-Qual foi à última vez que o viu?
-Eu o vi na viagem, ele estava no mesmo avião que nós.
-Por que, ele desapareceu outra vez?
-Não, ele não desapareceu, ele está muito bem ate.
-Então por que o interrogatório?
-Me responda só mais uma, mas, por favor, fale a verdade. –Promete?
-Prometo mãe! Prometo.
-Nestor tem freqüentado o clube aonde você vai?
-Teve um tempo que ele ia, ficava lá em um canto bebendo feito um gambá, mas fás um bom tempo que ele não aparece, fiquei sabendo que ele estaria fazendo análise, não sei se é verdade ou não.
-E o tal homem misterioso? Quis saber dona Julia.
-A senhora também já sabe? Falou Adriana.
- Quer dizer então que existe o tal homem misterioso?
- Existe sim, mas ninguém sabe quem é. Ate já estão o chamando de Cinderela, quando chega meia noite ele desaparece, ninguém sabe pra onde vai, é muito engraçado.
Disseram-me que ele fica o tempo todo olhando pra você. É verdade isto?
-Não, é exagero, ele olha pra todo mundo, ele só não fala com ninguém. Talvez por que ninguém puxou conversa com ele, deve ser tímido, ou mudo.
-Mas por que o disfarce?
-E quem garante que é disfarce? Ele pode ser assim mesmo, e também ele não causa mal a ninguém, fica lá mo canto dele por um tempo toma uma bebida, e quando chega meia noite vai embora, a galera que fica pegando no meu pé e diz que meu admirador secreto, mas eu não ligo só estou me divertindo.
-É você tem razão pode não ser um disfarce.
-Mas por que ele não apareceu mais?
-A isto já é outra história. Falou Adriana.
-Justamente quando você viajou! Estranho isto não?
-Quem sabe era por minha causa mesmo, não me viu mais lá, não foi mais.
-É pode ser. Mas por que depois que você voltou ele não apareceu mais?
- Nestor coincidência ou não, também não foi mais fazer análise.
-A senhora acha que poderia ser Nestor?
-Dalva afirma que não. Será que ele a enrolou outra vez? É muito tonta mesmo! Mas nós vamos descobrir isto e você vai me ajudar.
-Eu!... Por que eu?
-Por que em você eu confio, e não sei de ninguém melhor para me ajudar a resolver esta trama.
-Quer dizer que vamos dar uma de detetive então, vai ser irado.
-É, pode ate ser, mas não deve comentar com ninguém.
-Pode deixar mãe, não vou falar pra ninguém.
-Primeiro temos que descobrir quem é o tal de analista, depois saberemos se Nestor estava mesmo fazendo análise, ele vai ver com quem está lidando. Comentou dona Julia.
-Mãe, na lista telefônica deve ter o nome do analista. ---Como é mesmo o nome dele?
-Mariano, doutor Mariano.
Adriana pegou a lista e em segundos já encontrou.
-Aqui mãe ó, está o telefone e o endereço.
-Mas como é que nos vamos fazer? Quis saber Adrana.
-Que eu saiba a secretária não fornece nem um tipo de informação sobre pacientes.
-Pode deixar! Disse dona Julia. -Eu sei como fazer.
-E como faremos? Quis saber Adriana.
-Simples, marcaremos um horário para fazer o cadastro, e diremos que foi um paciente deles, e amigo nosso quem indicou.
-Pô mãe a senhora é uma gênia!
Plano perfeito. Chegando ao consultório, preencheram o cadastro, e para a surpresa das duas lá estava o nome de Nestor. Ele não estava mentindo, e esteve fazendo analise durante todo o tempo que afirmou.
E agora? Quem seria o homem misterioso?
Estavam numa situação bastante complicada, ninguém tinha pistas sobre o tal homem, poderia não ser ninguém perigoso, como também podia ser algum louco, como saberiam.
Adriana teve uma idéia, quem sabe o garçom tivesse alguma pista, ele quem chegou mais perto do homem, quem sabe falou alguma coisa pediu alguma informação teriam que explorar todas as possibilidades.
Beto realmente falou com o homem.
-Você não viu se ele estava disfarçado, se tinha alguma coisa que chamasse atenção, se o bigode e a barba eram naturais.
-É eu notei alguma coisa sim, mas ele nunca me pareceu alguém que pudesse oferecer perigo, nunca dei nenhuma importância.
-Você acha que pode ser alguém aqui do bairro?
-Poder pode, mas por que a curiosidade agora?
-Olha. Disse Adriana. –É uma coisa bastante estranha, eu a princípio estava me divertindo achando que fosse uma pessoa, mas agora fiquei sabendo com certeza que não era esta pessoa, confesso que estou com um pouco de medo, nunca se sabe.
-Eu também pensei que fosse alguém, pelo jeito o mesmo que vocês, por isto não dei importância, estava ate me divertindo, mas sendo assim a coisa muda, ficarei atento, qualquer coisa eu aviso. Está bem!
-Mas é bom não fazer muito alarde, se ele desconfiar não vai aparecer mais. Falou dona Julia.
-Ta certo pode deixar, e sei ser discreto.
Passaram-se dias e semanas e nada do tal homem aparecer, a estas alturas uma escapadinha aqui outra ali e todo mundo já sabia. Todo mundo que freqüentava o clube, tinha alguém que não sabia de nada, e por incrível que pareça, a cadeira e a mesa onde o tal homem sentava e a mesa estava sempre vazia, parecia à espera dele, e ele era o dono da mesma.
Seu Luiz nunca perguntou nada sobre o assunto, desde que Adriana lhe contou como tudo aconteceu, e depois que riram bastante, nunca mais ele fez qualquer comentário.
Dona Julia não falava nada por que achava que não deveria aborrecê-lo, e que ele já tinha bastante coisa pra resolver no seu trabalho.
Mas seu Luiz era uma pessoa que gostava de pregar peças e viu uma excelente oportunidade de pregar uma, escutou a conversa de dona Julia e Dalva, não foi de propósito. Estava fazendo umas contas em seu escritório e elas falavam bem alto, não sabiam que ele estava em casa, o resto foi bem fácil.
Seu Luiz só procurava se informar dos movimentos de Nestor, mas não teve o cuidado de saber que sua mulher já sabia que não era Nestor o homem misterioso, e estaria investigando pra saber quem era o tal homem.
Seu Luiz que também era homem de negócios, não era difícil saber o movimento dos outros, as secretárias sabiam de tudo, ou quase tudo.
Soube que Nestor estaria participando de um seminário durante vários dias, seria a oportunidade.
Ai não foi só na terça e na quinta, aproveitaria a semana toda, pensou ele.
Não sabia o que estava lhe esperando...
Lá estava ele o homem misterioso, mas o mistério estava por acabar, seria uma surpresa pra todos, inclusive para o próprio misterioso que não imaginava que lhe aprontariam uma armadilha infalível, ele nem desconfiava, Beto colocou um sonífero em sua bebida, e em poucos minutos, ele estava totalmente adormecido.
Todo mundo que estava presente queria saber de quem se tratava, quando tiraram o chapéu a peruca e o bigode, foi uma surpresa geral, dona Julia fez questão de tirar a barba postiça, ela não queria acreditar, por que motivo ele estava fazendo isto, se não visse com seus próprios olhos não acreditaria.
Mas por quê? Bem o mistério esta resolvido, vamos levá-lo para casa que quando acordar dará as devidas explicações.
Seu Luiz acordou com uma dor de cabeça horrível, ele estava em sua casa, mas não estava em sua cama, o que teriam colocado em sua bebida, e quem o levou ate em casa, e as roupas do disfarce onde estavam.
Olhou em volta, estava no quarto de hospedes, isto ele sabia, mas queria ver se enxergava as roupas do disfarce, nada. O que teria acontecido? Levantou rapidamente e foi ate o armário aonde ele guardava as roupas, não estavam. Onde estariam? O que fazer?
Foi ate o banheiro fazer sua higiene diária, era cedo ainda, estavam todos dormindo pensou.
Tomou seu banho vestiu-se e foi tomar seu café, achou estranho, o café ainda não estava servido, nem a cozinheira estava lá, tudo em silêncio, nem o rádio que a cozinheira sempre mantinha ligado, estava desligado, não escutou voz de ninguém, foi ate a cozinha, também estava vazia.
O que estaria acontecendo? Subiu ate seu quarto, ninguém, a cama estava arrumada e nem sinal de dona Julia, foi ate o quarto de Adriana, também não estava, onde teria ido todo mundo.
Pensou tomarei meu café na padaria da esquina, já tinha feito isto várias vezes. Vestiu sua roupa e desceu para sair.
A surpresa foi grande.
-Parabéns senhor Luiz bela interpretação, que papelão hem!
-O que pretendia com isto? Perguntou dona Julia mostrando as roupas do disfarce.
-Como vocês descobriram? Quis saber seu Luiz.
-Você pensa que só você que é esperto? Respondeu dona Julia. Qual era sua intenção?
-Bem, a princípio eu só queria vigiar Adriana, depois como todo mundo estava pensando que eu era Nestor, comecei a me divertir, e deixei para ver ate aonde ia.
- Não pretendia fazer mal a ninguém, e também era uma boa maneira de estar perto de Adriana, e poderia defendê-la se corresse algum perigo.
-Pois é, e todo mundo falando mal do coitado do Nestor, e criando um enorme problema para Dalva que ficou sofrendo este tempo todo, e eu também correndo de um lado para outro fazendo papel de boba.
-Bem, mas agora está tudo resolvido! Disse seu Luiz.
-Tudo resolvido coisa nenhuma! Retrucou dona Julia.
-Como não?
-Está faltando uma parte muito importante. Disse dona Julia.
-E que parte é esta, que eu não sei? Quis saber seu Luiz.
-Você vai lá na casa de Nestor, e vai pedir desculpas pra ele , e esclarecer toda confusão.
Seu Luiz não tinha outra saída, teria que fazer isto mesmo, era o mínimo, pra reparar sua irresponsabilidade, ele não fez por mal, mas causou um enorme desconforto para várias pessoas.
Foi ate a casa de Nestor e como devia, pediu desculpas, e resposta que teve de Nestor foi;

QUE É ESTA TAL DE ADRANA?